Morreu às 18 horas do dia 4 de julho, no Hospital do Coração da Santa Casa de Misericórdia de Franca, o senhor José Pereira Machado, aos 78 anos. Portador do Mal de Chagas, sobreviveu a três paradas cardiorrespiratórias antes de ser implantado com marca-passo, há dois anos. Nos últimos meses, problemas de saúde próprios da idade, e o coração enfrentando recrudescimento da doença, passou a ser alimentado com leite especial de alto valor. “Vovô não podia prescindir do produto. A família fez o que pode durante um tempo. Como advogado, ingressei com pedido para que o Estado o amparasse. A lei diz que atendimento a pedido do tipo deve ser atendido em 24 horas, mas três meses se passaram. O pior de tudo foi receber e-mail sobre a concessão da liminar que lhe garantia o alimento, durante seu velório. O que mais se pode falar sobre a justiça brasileira?”, desabafou o neto Gabriel. O atestado de óbito registrou miocardiopatia dilatada e falência de órgãos.
Era natural de Delfinópolis (MG). Deixou, viúva, a senhora Percília Aparecida Marques Machado, natural de Cássia (MG). Completariam 54 anos de casamento no dia 14 deste mês. “Amigos comuns em festa na Igreja de São Sebastião, em Passos (MG) nos apresentaram e disseram ‘esse é um bom rapaz’. Eu respondi: ‘quer se casar comigo? Ele disse ‘sim’. Namoramos e nos casamos em 11 meses. Nossa vida foi de amor, respeito, filhos, netos e incontáveis boas lembranças”, disse sua viúva.
O estar perto foi, aliás, levado às últimas consequências. Quando José foi ao hospital para aquela que seria sua última hospitalização, também Percília lá chegou para submeter-se a cateterismo e angioplastia. Não se veriam mais fora do hospital.
Do enlace, nasceram quatro filhos (a professora Vânia , casada com Luciano Bastos Dominguez, advogado da Wurth do Brasil, residentes em São Paulo; Vera, professora de Matemática; Cláudio, funcionário da Emdef, casado com Elaine Cristina, funcionária do Sesi; Cleide, casada com Wagner Polo, proprietários da Waguim Calçados). Mais ‘dois filhos do coração’ foram criados pelo casal: Reinaldo, e Kelly, casada com Kleiton Pereira Machado. “São filhos de meus irmãos falecidos, José Marques e Lazinho Marques”, disse Percília. Dos enlaces dos filhos, o casal teve 11 netos (Thales, Yuri, Elis, Vinícius, Gabriel, Murilo, Ítalo, Daniela, Kátia, Camila, Alice).
José foi soldador e trabalhou na construção de usinas hidrelétricas. “Esteve nas obras de Peixoto, Furnas e Três Marias. Para onde foi, a família o seguiu. Em São Paulo, mais tarde, atuou na Lark Máquinas e Equipamentos até a aposentadoria. Foi aí que decidimos morar definitivamente em Franca”, disse Percília.
“José já aposentado, filhos criados, nossa vida se tornou uma festa. Nossos fins de semana eram de casa repleta de familiares e amigos. As ‘Bodas de Prata’ nós comemoramos em São Paulo. As de ’Ouro’, em Franca, na Igreja São Vicente de Paulo, Jardim Portinari. Teve música sertaneja e até, berrante. Ele foi meu companheiro, meu amor, pai e avô inesquecível, amigo que os amigos adoravam. Não à toa sua mãe escolheu para ele o nome José, que significa ‘patrono da família’, ’pai adotivo de Jesus’”, concluiu, emocionada, sua viúva.
“Vovô foi um homem de verdade, e não apenas para nós, ‘o cara’. Não houve quem dele não gostasse. No Hospital do Coração, médicos, atendentes, enfermeiros, o pessoal da copa, todos se multiplicaram em carinho, competência e gentilezas a ele. Agradeço-lhes. Também ficamos felizes com padre Maurinho, da Igreja Santa Terezinha do Menino Jesus, do Jardim Redentor, e com meu irmão Vinícius, pastor em Morro Agudo (SP), pelas lindas palavras de consolo ditas antes do sepultamento”, disse o neto.
Velório aconteceu no São Vicente de Paulo. Sepultamento, com serviços da Funerária Nova Franca, foi realizado às 16 horas do dia 5, no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras.
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