Quem poderá nos defender?


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A um mês da realização da Olimpíada do Rio de Janeiro, o Brasil chama a atenção do mundo todo não apenas pela organização dos Jogos, mas, sobretudo pela violência que assola igualmente pequenas cidades e grandes metrópoles. Nos últimos tempos, os órgãos de imprensa do mundo todo destacam, em suas reportagens, uma série de problemas que tanto participantes quanto torcedores estarão sujeitos no período de competições. Além de destacar as diversas operações contra a corrupção em curso no País, a imprensa (incluindo aí emissoras de TV e sites da Internet) aponta para o risco de se contrair doenças como a transmitida pelo zika vírus, além da dengue e da chikungunya. Remete ainda ao transporte público de baixa qualidade e da explosão dos preços de alimentação e estadia ocorrida praticamente às vésperas do maior evento esportivo mundial.
 
Porém, o principal problema para eles — e que ainda não é assumido pelo Poder Público — é a escalada do crime organizado, que faz vítimas diariamente, muitas vezes à luz do dia. Turistas também são vítimas, perdendo valores, produtos e muitas vezes a vida diante da ação de um bando de marginais que deveria estar trancafiado, mas que diante de um Código Penal pouco efetivo, deixa a sociedade à mercê da criminalidade. Um crime organizado que vem ganhando de goleada dos aparatos oficiais de segurança. Enquanto os bandidos atacam com dinamite, fuzis e armamento pesado, muitos de uso restrito das forças armadas, as forças de segurança oficiais contra atacam com revólveres e pistolas. As forças especiais têm à disposição apenas metralhadoras e fuzis. É uma verdadeira guerra civil.
 
Assustam as imagens captadas por ribeirão-pretanos no final da madrugada de ontem, durante a ação de uma quadrilha que destruiu uma empresa de segurança e levou uma alta quantia na vizinha cidade. Além da morte de um policial que infelizmente se viu no meio da rota de fuga da quadrilha, um bairro inteiro ficou sem eletricidade e milhares de moradores sentiram na pele o medo que já tinha dominado Campinas e Santos, em ações semelhantes. Foi mais de uma hora de tiroteio que, pelas imagens, lembravam ações em países conflagrados. O pior é que não há, pelo menos por parte do governo do Estado, o reconhecimento de que a Segurança Pública está perdendo o confronto, colocando não apenas a população mas também policiais à mercê de bandos fortemente armados. É necessário, hoje, que o governo tome uma posição e busque reforços para esta batalha, inclusive pedindo o auxílio da FSN (Força de Segurança Nacional). Do contrário, estaremos correndo o risco de ver o crime organizado ainda mais articulado e praticando livremente suas ações, criando ainda mais insegurança em todos nós.
 
 
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