Mega-assalto destroi empresa e mata PM em Ribeirão Preto


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Prédio onde funcionava a empresa de transporte de valores ficou totalmente destruído; carros-fortes também foram danificados
Prédio onde funcionava a empresa de transporte de valores ficou totalmente destruído; carros-fortes também foram danificados
Clima de pânico, som de tiros sequenciais, muitas explosões e cheiro forte de pólvora acordaram Ribeirão Preto na madrugada dessa terça-feira. Por volta das 4 horas, um grupo fortemente armado protagonizou um crime cinematográfico ao usar arsenais de caráter bélico para invadir uma unidade da Prosegur. A empresa é especializada em segurança e transporte de valores e fica na avenida da Saudade, no bairro Campos Elíseos, região Norte da cidade. Durante a fuga da quadrilha, um cabo da Polícia Militar Rodoviária foi morto após ser alvejado na cabeça.
 
Segundo vizinhos da empresa e a polícia, ao menos 20 homens teriam participado do ataque, utilizando cerca de dez veículos - a maioria de luxo. As investigações estão sendo conduzidas pela DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Ribeirão Preto, com apoio de duas equipes do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) de São Paulo. O modus operandi da quadrilha ainda está sendo levantado.
 
Informações iniciais dão conta de que o crime teve planejamento detalhado. Os bandidos espalharam grampos com pregos nas adjacências do local do crime. Dois caminhões foram deixados atravessados na avenida e serviram como barreira para atrapalhar uma possível aproximação da polícia. Com a cena montada, deu-se início às explosões e ao maior tiroteio já registrado em Ribeirão.
 
Foram ouvidas ao menos três grandes explosões. A primeira delas aconteceu às 4h14. O que se seguiu foi um festival desenfreado de rajadas de, segundo a polícia, pistolas e metralhadoras de grosso calibre, incluindo armamentos com potencial para atravessar, sem dificuldades, veículos blindados e até derrubar aeronaves. Cerca de uma hora depois ainda era possível ouvir os estrondos que desenhavam a tragédia. 
 
Diante da incompatibilidade de armas para um embate, os policiais que chegavam à região do ataque se concentraram em proteger a população, principalmente orientando os motoristas para evitar que se aproximassem. Vários se afastaram engatando ré em avenidas como a Coronel Quito Junqueira, a Brasil, além da própria avenida da Saudade e ruas perpendiculares.
 
Também fez parte do conjunto do crime uma série de ataques paralelos. Ao menos dois carros foram roubados de moradores da região e os bandidos atearam fogo em dois veículos. Segundo policiais que acompanharam a ocorrência, seria mais uma forma de dificultar o trabalho da PM.
 
Após o ataque, o grupo se dividiu para a fuga e parte da quadrilha seguiu pela rodovia Anhanguera, no sentido Ribeirão Preto/Jardinópolis. Próximo ao quilômetro 321, em um anel viário, foi a vez de uma viatura da Polícia Rodoviária ser atacada. 
 
Dois agentes que estavam no carro desceram e se deitaram no chão, em uma tentativa de se protegerem. Um deles, no entanto, o cabo Tarcísio Wilker Gomes, de 43 anos, foi alvejado na cabeça. Socorrido à unidade de emergência do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, ele não resistiu (leia texto abaixo).
 
Questionada pela reportagem sobre detalhes das consequências da ação dos bandidos, a assessoria de comunicação da Prosegur apenas afirmou que nenhum de seus funcionários foi ferido, e citou que “está à disposição das autoridades e colaborando” com as investigações.
 
Embora a empresa não tenha informado a quantia que teria sido roubado, o diretor do Deinter 3 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior), João Osinski Júnior, disse em entrevistas durante a tarde de ontem que o valor levado, nestes tipos de roubo, costuma oscilar entre R$ 50 milhões e R$ 80 milhões.
 
Faltou dinheiro, energia e água 
O ataque fez com que faltasse dinheiro para abastecer agências de instituições financeiras como o Banco do Brasil e o Itaú, clientes da Prosegur. Quem tentou sacar ontem em algumas agências foi orientado a retornar hoje. No final da tarde de ontem, no entanto, nos locais checados pela reportagem a situação já estava normalizada.
 
Faltou também energia elétrica. Parte do bairro Campos Elíseos ficou no escuro, já que uma das primeiras ações dos criminosos foi atirar contra transformadores da CPFL.
 
A queda da energia respingou no abastecimento de água. O Daerp (Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto) informou em nota que o problema atingiu os poços XI de Agosto, Tanquinho e Topázio, prejudicando o abastecimento em ao menos cinco bairros durante um período da manhã de terça. Mas, ainda no período da manhã, a Seção de Elétrica do Daerp conseguiu que o abastecimento fosse restabelecido. 
 
A Polícia Militar emitiu um alerta para todo o Estado de São Paulo e segue tentando localizar a quadrilha.

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