Um Brasil cheio de apostas equivocadas


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O Brasil é mesmo um País estranho. De dimensões continentais, apresenta diferenças profundas entre as suas 27 Unidades Federativas (26 estados e um Distrito Federal). Percebe-se, desde o descobrimento, que as decisões tomadas nos palácios de Brasília e, antes, Rio de Janeiro, não foram totalmente satisfatórias para que conseguíssemos integrar o Brasil de Norte a Sul, Sudeste ao Nordeste, passando pelo Centro-Oeste. Ao longo de nossa história, uma série de apostas foi feita, trazendo na maioria dos casos um retrocesso que atravanca o desenvolvimento que já deveria ser bem maior do que o registrado hoje.
 
Em razão das distâncias, por volta das décadas 60 e 70 do século passado, apostou-se no transporte rodoviário para a ligação dos diversos pontos do País. São Paulo, que tinha uma rede ferroviária exemplar, resolveu sucatear a antiga companhia Mogiana. Um tiro n’água. Ao contrário do que aconteceu em todo o mundo (destacam-se aí Estados Unidos, a maioria dos países da Europa e o Japão), o transporte sobre trilhos no Brasil sobrevive em regiões urbanas, com um metrô ainda limitado e trens metropolitanos sucateados e extremamente lotados. O transporte de alimentos, feito por caminhões, é o campeão do desperdício: parte se perde no trajeto e outra já chega estragada ao destino, obrigando os motoristas a jornadas exaustivas para cumprirem prazos. Também no transporte de passageiros perdeu-se com esta aposta nas rodovias, uma vez que a maioria da malha viária brasileira encontra-se em péssimas condições.
 
Um caso exemplar que demonstra esta dissociação de nossos tecnocratas e políticos com a realidade brasileira é a padronização das tomadas de três pinos. Depois de anos de deliberação, estudos e discussão, o Brasil resolveu adotar um padrão que só é utilizado aqui, completamente diverso do utilizado nos Estados Unidos e Europa. Com isso, não se consegue ligar no Brasil um aparelho eletroeletrônico comprado no exterior por total incompatibilidade. E o comércio de adaptadores (o famoso “T”) e extensões prossegue e mantém o risco que se pretendia evitar. Outras decisões que acabaram sendo amplamente erradas, recentemente, foram a maleta de primeiros socorros obrigatória ou extintores de incêndio específicos para veículos que foram abandonados depois de sua instituição. Em todos estes casos, sobrou para o consumidor, que adquiriu o produto para não ser autuado e multado e viu-se obrigado a assumir o prejuízo. Exemplos como estes abundam e não se sabe até quando nossas autoridades e políticos vão entender que decisões tomadas ao largo dos interesses da Nação levam a resultados como os aqui apontados. Nestes casos, falta objetividade, o que nos faz andar ainda mais para trás.
 
 
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