’O jeito tímido dele nos amar, será, para sempre, inesquecível’
Morreu hoje, 4 de julho, na Santa Casa de Misericórdia de Franca, o senhor Vicente Borges Carrijo, aos 77 anos. Foi internado em 6 de junho para aprofundamento de diagnóstico sobre hemorragia que o acometeu. ’Exames não apontaram nada. No dia 8, os médicos optaram por cirurgia. O diagnóstico foi câncer. "O organismo dele debilitou-se ao longo dos dias em que, esperávamos, pudéssemos mantê-lo junto da gente. Uma embolia pulmonar o levou novamente à UTI, em 12 junho. Papai fumou a vida inteira. Sempre tentou parar, mas não conseguiu. Pagou com sua vida, para tristeza nossa", disse o filho Grimaldo, policial militar reformado.
Nasceu em Guapuã (hoje Cristais Paulista/SP), de família grande e simples. Seguiu os pais a Ponta Porã (MT), e lá viveu até a adolescência. Em 1960, com alguns dos irmãos, mudou-se para Franca, em busca de oportunidades de trabalho. Rapidamente conseguiu trabalho de guarda-noturno no Hospital ’Allan Kardec’. Poucos meses depois, conheceu Marlene Aparecida da Silva Carrijo. Casaram-se. Ela ficou viúva após 56 anos de casamento.
Do enlace, quatro filhos (Magno, proprietário de conhecido bar no Jardim Panorama, casado com Eleuza; Abrão, sapateiro, casado com Nilza; Adriana, casada com Vitor Aparecido dos Santos, diretores da indústria de Calçados Fageflex; Grimaldo, casado com Paula); 12 netos (Diego, que trabalha suprindo produtos de beleza a distribuidores; casado com Maria; Ítalo, Mateus, Rafaela, empregada em banca de pesponto, casada com o mecânico Leandro; Alexandre, casado com Janaína, ambos panificadores; Fabrício, Géssica, Vitória; o vitrinista Alex; o representante comercial Jeferson, casado com Larissa; Amanda), além de seis bisnetos (Eduarda, Tuany, Bruno, Beatriz, Kauan e Luís).
A vida de Vicente e Marlene foi simples, humilde e dedicada a trabalho duro para criar os filhos. ’Mamãe foi sapateira e lavadeira. Trabalhava de dia na Calçados Pestalozzi, e, até altas horas da noite, lavando e passando roupa. Tinha, como se diz, ’21 freguesias. Dentre essas, famílias como a da saudosa Nadima Jorge, a de José Gonçalves, e a de Vitor de Andrade. Reconhecimento a seu trabalho nunca faltou. Da observação das dificuldades, um gerente do Pestalozzi doou um terreno à nossa família, e nele, com a competência de papai, levantamos nossa casa. Papai, primeiro como guarda-noturno, depois como sapateiro e, finalmente como pedreiro, nunca nos deixou falta nada. São nossos ídolos. Mesmo pobres, fizeram-nos dignos e direitos’, disse o filho.
’Meu pai era fechadão, tímido, um homem que expressava seu carinho por mamãe e por nós, à maneira dele. Mesmo quando estávamos todos juntos, mantinha-se quieto. Quando se aproximava e a gente o envolvia, ele sorria feliz. Esse jeito tímido dele nos amar, será, para sempre, inesquecível. Ficou a vida inteira longe da medicina. Quando foi necessário se consultar, já não havia mais o que fazer’, concluiu o filho.
Velório tem espaço no Regional do Leporace. Sepultamento se dará amanhã , 10 horas, com serviços da Funerária Nova Franca, no Cemitério Santo Agostinho.
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