A um mês da abertura dos Jogos Olímpicos, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), fez duras críticas ao governo do Estado em entrevista para a rede de TV CNN.
As reclamações acontecem após dois contêineres com equipamentos de transmissão de duas TVs da Alemanha para a transmissão da Olimpíada terem sido roubados na sexta-feira (1). O material já foi recuperado pela polícia.
"Esse é o problema mais sério no Rio e o Estado está fazendo um trabalho terrível, terrível", afirmou Paes.
"Está fracassando completamente em sua tarefa de policiar e cuidar das pessoas", completou.
"[Durante os Jogos] o Exército, a Marinha, todo mundo estará aqui", disse o prefeito. "Felizmente, o Estado não será responsável pela segurança durante aquele período".
As declarações de Paes acontecem após policiais civis, militares e bombeiros realizarem protesto contra atraso de salários no saguão do aeroporto internacional do Galeão, na zona norte do Rio. Os servidores reclamam também de falta de condições de trabalho.
Na quinta-feira (30), o presidente interino, Michel Temer (PMDB), publicou medida provisória liberando R$ 2,9 bilhões para o Rio de Janeiro.
ZIKA
Paes declarou que a crise política brasileira e o vírus da zika não terão o impacto imaginado pelas pessoas sobre a Olimpíada.
"Neste momento, se você é americano, por favor não vá à Flórida. Há mais casos da zika na Flórida agora do que temos no Rio", afirmou.
Segundo autoridades de saúde pública, o risco de contágio do vírus da zika é reduzido durante o inverno, estação em que a Rio-2016 acontecerá.
A OMS (Organização Mundial da Saúde), entretanto, orienta gestantes a limitar as viagens ao país. Para quem viaja, a organização alerta para o uso de mangas compridas e calças, além do uso de repelente.
LEGADO AMBIENTAL
Em coletiva, Paes defendeu nesta segunda-feira (4) o legado ambiental proporcionado pela Olimpíada. Ele afirmou que o setor recebeu investimentos para o evento.
Reportagem da Folha de S.Paulo neste fim de semana mostrou que as metas para o meio ambiente descritas no Dossiê de Candidatura, apresentado em 2009 quando o Rio foi escolhido como cidade-sede dos Jogos, não foram cumpridas.
"Dois compromissos importantes deixaram de ser feitos [despoluição da baía de Guanabara e da lagoa de Jacarepaguá]. Mas nós fechamos o aterro de Gramacho e fizemos 100% do saneamento da bacia do Rio Maranga, para toda a região de Deodoro. É que essa região não é conhecida. A gente tem que ter um motivo olímpico para a imprensa vir aqui. Então tem um enorme legado ambiental, sim", disse ele, durante visita às obras do BRT Transolimpica.
O fechamento do aterro de Gramacho não constava do dossiê de candidatura.
A despoluição da sub-bacia do Rio Marangá contribui para a despoluição da baía de Guanabara, por tratar o esgoto de todo o bairro de Deodoro, local de competições.
Contudo, a meta de tratar 80% do esgoto lançado na baía não foi cumprida. Ela depende da inclusão no sistema de cerca de 60% dos moradores da região metropolitana do Rio que ainda não têm acesso a saneamento básico -uma responsabilidade do governo do Estado.
Em nota, Paes criticou o uso do dossiê de candidatura como forma de avaliar o cumprimento das metas para os Jogos.
"Esse livro de candidatura trazia, à época da conquista das Olimpíadas, os principais projetos do Rio para o evento. Tratava-se de um plano de candidatura. Sem projetos detalhados e com simples estimativa de custos e de projetos arquitetônicos e urbanísticos", afirmou, em nota.
O documento apresentado em 2009 tinha 614 páginas com 13 seções, uma dedicada ao meio ambiente. Ele descrevia compromissos dos governos ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e o legado que os Jogos trariam à cidade.
Além da despoluição da baía de Guanabara e da lagoa de Jacarepaguá, previa o plantio de 24 mudas para recuperação da Mata Atlântica e a melhoria da qualidade da água da lagoa Rodrigo de Freitas para uso dos banhistas. Nenhuma dessas metas foi atingida.
Paes diz ainda que construiu o museu do Amanhã, como o ecomuseu permanente para educação ambiental, previsto no dossiê. A Folha de S.Paulo desconsiderou este item por não ter vínculo direto com a melhoria da infraestrutura voltada ao meio ambiente.
Para o prefeito, as cobranças devem ter como base o Plano de Legados. Este documento lista 24 projetos de infraestrutura que, segundo a APO (Autoridade Pública Olímpica), não têm relação direta com os Jogos mas foram inspiradas pelo evento.
Além do saneamento da região da sub-bacia do Rio Marangá, a lista inclui a macrodrenagem da bacia de Jacarepaguá como projeto voltado ao meio ambiente. Ela reduz as enchentes na região. Também beneficia a despoluição da lagoa de Jacarepaguá, contudo, sem cumprir a meta prevista no dossiê de recuperação do sistema lagunar da região. Ela dependia de ações do governo do Estado, não executadas.
O plantio de 24 milhões de muda tinha como objetivo ampliar a cobertura de Mata Atlântica na cidade. A Secretaria do Ambiente afirmou que restaurou 3.275 hectares do bioma, o que 68,7% das emissões a serem compensadas. O restante, diz o Estado, será compensado com "doações de crédito de carbono" a ser feito através de um chamamento público feito pela secretaria. A lista de doadores, quando fechada, será publicada no "Diário Oficial" fluminense.
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