Ao administrador público exige-se, muito além de honestidade no trato da res pública. Qualquer um deles, seja presidente, governador ou prefeito, tem que deixar de lado as vaidades pessoais e seguir estritamente o que define a democracia: “governo do povo, pelo povo e para o povo”. Ele tem que estreitar os laços com quem o elegeu, ouvi-los e buscar soluções para as demandas de cada um. Precisa se esquecer daqueles que deram dinheiro para a sua campanha e fazer valer os interesses dos que lhe deram o voto. Infelizmente, esta não é a realidade de nosso Brasil. O administrador público, por causa de uma legislação eleitoral imperfeita, é obrigado a fazer alianças para conseguir governar. E, por isso, acaba promovendo um verdadeiro loteamento de cargos que desemboca numa corrupção endêmica, como se pode comprovar nos últimos tempos diante das diversas operações da Polícia Federal que descobriram uma série de esquemas fraudulentos em estatais, autarquias e até ministérios do País.
Aqui em Franca, o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) mostrou, desde o primeiro dia de seu mandato um total desinteresse pelas reivindicações de seus eleitores. Patrocinou ilegalidades e irregularidades, transformou sua relação com a Câmara em amplo balcão de negócios, além de colocar acima de tudo os interesses de grandes grupos econômicos. Neste último caso, três fatos foram exemplares: o acordo firmado a portas fechadas com a Empresa São José, abrindo mão de multas e de uma série de obrigações da concessionária do transporte coletivo em Franca firmada em contrato; a tentativa de ‘aliviar’ para os bancos as exigências de segurança criadas pela Câmara e o esquema fraudulento armado com a Cetesb para conseguir licenças ambientais, hoje objeto de investigação pela Justiça.
Diante da situação que a cidade atravessa, com desemprego em alta e produção em baixa nas indústrias de calçados, o que impacta todos os outros setores produtivos, Alexandre autorizou o aumento da tarifa de transporte coletivo a partir do dia 8. Com o reajuste (de 8,57%), a passagem subirá dos atuais R$ 3,50 para R$ 3,80 e será mais cara do que em 26 capitais espalhadas pelo Brasil e ainda será a mesma praticada em São Paulo. A falta de sintonia com os seus concidadãos mais uma vez fica evidenciada, quando se sabe que a maioria da população fica à mercê de um serviço ineficiente, com falhas gritantes e cujo valor não corresponde ao que é oferecido. Carta fora do baralho (foi rejeitado pelo próprio partido para tentar a reeleição e que pode até ser cassado antes do fim de seu mandato), Alexandre Ferreira prova mais uma vez que nunca deveria ter saído do ostracismo para onde deve voltar assim que deixar a Prefeitura.
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