Perto de completar dois meses após a sua posse como presidente interino, Michel Temer (PMDB) ainda não deu a largada em seu governo. A imobilidade que marcou os últimos meses da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) persiste. Poucas propostas foram apresentadas desde então e o governo Temer só movimentou o noticiário com a demissão de três ministros recém-empossados, suspeitos de participarem de fraudes e desvio de verbas públicas. Ao mesmo tempo, o presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), continua atuando para protelar o processo de cassação que sofre, mesmo sendo alvo de duas investigações abertas no STF (Supremo Tribunal Federal). Também o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), vê-se encalacrado com denúncias de enriquecimento ilícito e improbidade administrativa e já se vê sob a mira da mais alta Corte de Justiça do País.
Até agora, a equipe de Michel Temer só conseguiu aprovar reajustes de salários para servidores do Judiciário e para os benefícios do Bolsa Família, este em níveis superiores ao proposto pela presidente afastada. As medidas de ajuste fiscal continuam paradas no Congresso. As propostas de Temer ainda não passam de projetos, incluindo as reformas da Previdência, tributária e de custeio da máquina pública. Por isso, não é de se estranhar o resultado da pesquisa Ibope/CNI divulgada ontem, a qual aponta que o presidente interino é aprovado por apenas 13% dos brasileiros. A avaliação ótima ou boa se aproxima da aprovação de Dilma Rousseff, de 10%, medida no último estudo noticiado em março. Na ocasião, a petista ainda não havia sido afastada. Apesar da proximidade nos níveis de aprovação, Temer tem uma reprovação bem menor do que a petista: 39% dos entrevistados avaliaram o seu governo como ruim ou péssimo, enquanto, em março, Dilma tinha a desaprovação de 69% da população.
Enquanto não se livrar das suspeitas que atingem alguns de seus principais aliados (e que perigosamente chegam próximo a ele) dificilmente Michel Temer terá condições de se descolar da imobilidade de Dilma e comandar um governo consistente, que atenda aos anseios dos brasileiros, dando uma volta na profunda crise que continua afetando produção, empregos e preços, fazendo a nossa economia voltar para trás. Temer precisa se armar de coragem e fazer o que é preciso para retomar o crescimento. Não pode contar apenas com os humores do mercado para elevar os índices econômicos. Esta fase já passou e o Brasil precisa agora de ação, muito trabalho e bastante responsabilidade para que deixemos para trás a recessão profunda que o governo Dilma instalou no País.
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