A morte da aposentada Maria de Lourdes Santos Silva, de 62 anos, trouxe, além de tristeza, uma imensa revolta para a família que acusa a Santa Casa de Franca por negligência e omissão. Com pneumonia, no dia 10 de junho, a moradora do Jardim Paineiras foi internada no hospital, onde permaneceu por 11 dias, sendo liberada, de acordo com os familiares, ainda bastante debilitada. No dia seguinte, voltou a passar mal e ficou mais um dia internada, sendo encaminhada para casa novamente. Já na madrugada seguinte, em uma nova crise, o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado e mais uma vez levou a mulher para o hospital. Lá, ela teria permanecido por mais de três horas no corredor, aguardando uma vaga no CTI (Centro de Terapia Intensiva), quando não resistiu e morreu, no dia 23 de junho.
“Minha mãe ficou internada por dez dias e foi liberada mesmo sendo comprovada a pneumonia e ela não estando 100% recuperada. Depois disso, ela passou mal mais uma vez, voltou para o hospital e novamente foi liberada. No dia seguinte, novo problema e ela voltou para a Santa Casa, onde ficou esperando em uma maca no corredor por uma vaga no CTI. Lá, ela teve uma parada cardíaca e não resistiu”, disse a filha Irani Ferreira da Silva.
Revoltada com a situação e o atendimento, a família registrou um boletim de ocorrência na Polícia Civil sobre o caso e procurou um advogado para entrar com um processo contra a Santa Casa que, para eles, teria sido negligente e omissa no socorro da aposentada, além do médico responsável por liberar a paciente na primeira internação.
“O médico mandou a minha mãe para casa, mesmo ela continuando com falta de ar e se sentindo mal. O atendimento da minha mãe não foi o correto. Somente quem está dentro da Santa Casa realmente vê o que acontece lá dentro. Ninguém está sentindo a minha dor, não foi a mãe deles que acabou morrendo enquanto esperava uma vaga, mas, acima de tudo, não concordo com o fato de terem liberado ela fraca e sem condições. Se a causa da morte fosse qualquer outra, eu não questionaria, mas isso não pode voltar a acontecer e outras pessoas sofrerem por negligência”, completou, emocionada, a filha.
No atestado de óbito da aposentada, pneumonia e insuficiência respiratória são apontadas como as causas da morte.
“Diante desse quadro, vamos acionar na Justiça, em eventual ação de responsabilidade por danos morais, tanto o médico que realizou os atendimentos como a Santa Casa, onde ela foi atendida. Infelizmente nada trará a vida da paciente de volta, mas frequentemente temos notícia de casos de negligência e é preciso que os possíveis culpados sejam responsabilizados para evitar novas vítimas”, disse o advogado André Luís, que representa a família.
Sem resposta
A Santa Casa não retornou o contato da reportagem até o fechamento desta matéria.
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