Estilos que vão vestir os pés dos brasileiros


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Téti Brigagão, da Clave de Fá, mostra uma das apostas de tendência para a próxima estação
Téti Brigagão, da Clave de Fá, mostra uma das apostas de tendência para a próxima estação
Já é tradição: a aproximação das estações mais quentes do ano devolve a democracia da moda em calçados e acessórios. É na temporada primavera/verão que a máxima “na moda tudo é possível” se evidencia. Sapatilhas em diferentes formatos, saltos de todas as versões e até botas leves farão o brasileiro facilmente se sentir em dia com a moda. Na 48ª edição da Francal (Feira Internacional da Moda em Calçados e Acessórios), feira que aconteceu entre 26 e 29 de junho no Pavilhão do Anhembi, em São Paulo, e que é o maior palco de lançamentos das coleções que estarão nas vitrines até o final do ano, as principais marcas do país apresentaram suas apostas.
 
Quase unanimidade, as sapatilhas flats continuarão reinando nas versões com bicos arredondados ou finos, mas vêm com um quê de sofisticação. A nova cara fica por conta das amarrações nos tornozelos ou tiras elásticas sobre o peito do pé - remetendo ao visual das bailarinas. Para o jornalista especializado em moda e comportamento Bruno Astuto, garante ainda a inovação no visual das sapatilhas a inclusão de mixes de (muitas) pérolas e pedrarias no cabedal. O mesmo deve acontecer com as rasteirinhas, que reinam nos 12 meses do ano nas regiões mais quentes do país e ganham força nas demais regiões no verão.
 
E o consultor garante - e as vitrines da Francal endossaram - que, contrapondo aos solados flats, o salto alto e fino reaparece com força total, “empoderando” a mulher para qualquer situação. Com a mesma força, parecem voltar as plataformas retas - elevadas, mas quase absolutamente planas. Neste modelo, o cabedal pouco importa (vem fechado, liso, estampado, com tiras ou fivelas), já que os olhos se curvam imediatamente para o solado “retão”, que, vale lembrar, não é unanimidade de representatividade de bom gosto entre os fashionistas.
 
Também longe de ser unanimidade, será difícil uma loja de calçados que não tenha como destaque em suas vitrines de primavera/verão diferentes versões de mules. Sim, leitor, eles estão de volta, e são peças importantes quando se fala em tendências.
 
De novo, o cabedal vem de todas as formas e não é a estrela. O ponto alto é o que faz o mule “ser” mule: a oscilação entre o estilo chanel e o tamanco, deixando calcanhar de fora e dedos cobertos. Os saltos aparecem ora finos, ora mais pesados e muitas vezes em formatos geométricos.
 
Para quem torceu o nariz, mas não quer correr o risco de parecer que vive em outra era no quesito moda, uma boa aposta é escolher uma sandália anabela, já que o modelo é uma peça sempre atual. É o que garante o estilista e consultor de moda Walter Rodrigues. Segundo ele, ao aliar conforto e salto alto, o solado anabela caiu definitivamente no gosto da mulher brasileira.
 
Rodrigues garante ainda que o que dita verdadeiramente a moda, no final das contas, é o próprio consumidor. Com esse pensamento, não é difícil imaginar a razão pela qual os sneakers apresentados pela francana Clave de Fá (marca feminina da Sândalo) fizeram sucesso entre os lojistas na Francal. Téti Brigagão, diretor da empresa, levou para o estande versões lisas, coloridas, estampadas e com diferentes texturas, incluindo as de couro tramado - outro elemento vértice da moda quente. Segundo ele, o modelo o ajudou a alavancar as vendas. “Vendemos muito para clientes de exportação e também para clientes butiqueiros daqui.”
 
Essa pitada mais chique para os modelos casuais chega também aos tênis. A pegada do verão será um aprimoramento nas cores e brilhos, que aparecem em blocos únicos: inteiros dourados, vermelhos, pinks, amarelos ou azuis. Mas dentro dessa linha, de blocos de cores, o maior grito da moda é o branco, em couro e cano baixo. O estilo original é o clássico Adidas Stan Smith, mas as marcas mais importantes lançaram suas releituras com detalhes para todos os gostos.
 
Para Walter Rodrigues, trata-se de um grito de libertação em resposta ao excesso de cores que permearam verões passados. “É uma consequência. Existe uma classe de consumidor, a do consumidor autoral, que são pessoas que não querem ficar iguais às outras”, disse. 
 
Para eles
Essa resposta parece chegar ainda com mais força aos pés masculinos. Um exemplo é que as chuteiras cítricas ostentadas por craques do futebol durante tantos anos estão cedendo lugar para as “retrôs”, pretas ou brancas, segundo o consultor.
 
Quanto ao modelo do sapato masculino, é interessante saber que o clima da moda para eles é de despojamento e inovação, especialmente na linha esportiva urbana. Esse pensamento transmuta o tênis da academia e o coloca como protagonista na composição de looks informais para o dia-a-dia, dividindo espaço - sempre - com os mocassins e sapatênis.
 
Em relação aos clássicos, ao observar as vitrines das gigantes do mercado na Francal, ficou claro que, se outrora os sapatos em couro com cores fortes ou misturas de várias texturas em um único modelo fizeram muito sucesso, o momento indica um visual mais “ponderado”, com a supremacia dos clássicos tons mais fechados, mas com detalhes que não farão o pé de ninguém parecer o pé do “tiozão”.

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