Trajeto obrigatório


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Em sua nova versão, a Base Nacional Curricular Comum – documento que propõe a unificação do currículo para as escolas de ensino infantil, fundamental e médio no país – está com 628 páginas. Segundo o Ministério da Educação (MEC), 12 milhões de contribuições chegaram até o órgão, o que originou no adiamento da redação final do documento de junho para novembro, ampliando assim as discussões sobre o tema. A intenção de uma proposta unificada é a redução da desigualdade educacional no país e a melhoria da qualidade de ensino.

A segunda versão do documento foi melhor recebida pelos educadores do que a divulgada em setembro do ano passado. Isso não significa que não possa ser melhorada. Não é de hoje que precisamos de um currículo nacional unificado, com parâmetros para os professores do que deve ser ensinado, efetivamente, nas salas de aula. Para isso, é necessário que desapareça a carga ideológica das matérias. Em história, por exemplo, uma disciplina difícil de se encontrar um consenso, havia distorções claras no texto anterior que limava das aulas temas históricos clássicos como a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e a Antiguidade Clássica.  No tocante à língua portuguesa, melhorou a distribuição da gramática, praticamente ausente no texto anterior, criticada abertamente por linguistas ilustres como Evanildo Bechara, Professor Emérito do CIEE e membro da Academia Brasileira de Letras (ABL).
 
A educação é o trajeto obrigatório para um futuro de sucesso para a nossa juventude, tão castigada, ultimamente, pelos maus resultados da economia, pelo desemprego crescente e pelos cortes de recursos orçamentários ao ensino. A educação só faz diferença quando é de boa qualidade. Por isso, é necessário que os atuais currículos abdiquem de distorções ideológicas e espelhem-se nas necessidades sociais, preparando melhor os jovens para a sua inserção ao mercado de trabalho e inclusão cidadã. 
 
Na semana que passou, o CIEE debateu o tema, no Teatro CIEE, no seminário A Base Nacional Curricular Comum, realizado em conjunto com a Unesp, e contou com a participação de importantes educadores. Eles mostraram-se preocupados com o volume de disciplinas e conteúdos sofisticados, que devem dificultar a implementação, na prática, das novas diretrizes nas salas de aula.

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