Eu quase nunca tinha sono.
Segurava as mãos da mulher e amanheceres coloridos me mantinham desperto.
Eu quase nunca cruzava regiões enevoadas.
Os meus olhos embevecidos demoravam-se nos olhos da mulher. Então o sol, multiplicado, inundava todos os meus quereres. Soprava imperativos, e a neblina se dissipava de todos os caminhos.
Eu nunca era apresentado ao desânimo.
Não o conhecia e sequer desconfiava da existência de seus filhos, de parentes seus em segundo, ou em terceiro graus. A mulher ia a meu lado, e sua presença garoava certezas na minha rua, na cidade inteira.
Um dia, meus olhos marejados não viram. Meu ouvido estarrecido e minha boca muda não entenderam. Todos os sentidos não entenderam. Suas mil razões e outras razões mil resultaram razão nenhuma na matemática do meu espírito.
A mulher levou em conta apenas as suas contas.
E se foi.
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