No correr dos anos, principalmente nas três últimas décadas, a Educação brasileira vem sofrendo repetidas quedas nos rankings que apuram a qualidade do ensino em escala global. Internamente, uma série de levantamentos demonstra que o principal problema é a falta de interesse de professores e alunos, que transformam a situação do ensino público brasileiro em verdadeiro ‘balaio de gatos’. Como explicar, numa mesma cidade, uma escola que consegue índices acima dos verificados em países mais desenvolvidos, enquanto outra aparece abaixo da linha do que se considera razoável? As discussões se prolongam, apontando para a necessidade de um currículo único, capacitação e valorização do magistério e, principalmente, conseguir o interesse do próprio estudante. Hoje, o número de analfabetos funcionais, que mal escrevem e não conseguem entender o que estão lendo, é grande e demonstra o quanto o País demora em buscar soluções.
A baixa qualidade da educação básica brasileira fez com que o país perdesse cinco posições na última edição do “Relatório sobre o Capital Humano”, estudo anual do Fórum Econômico Mundial, divulgado na última terça-feira. O Brasil ficou na 83ª posição, com uma pontuação de 64,51, o que significa que mais de 35% do capital humano brasileiro permanece subdesenvolvido. Os brasileiros têm desempenho abaixo da média da América Latina e Caribe e pontuaram menos que Uruguai (60ª posição), Costa Rica (62ª posição) e Bolívia (77ª posição). A lista analisa o êxito de 130 nações de todo o globo em preparar a população para adquirir capacidades, conhecimentos, competências e atributos de qualidade para produzir valor econômico no país. Elaborado desde 2013, o ranking tem como indicador o Índice de Capital Humano (ICH), que reúne quatro pilares (educação, saúde/bem-estar, emprego/força de trabalho e ambiente de oportunidade) divididos por faixa etária. Agora, a posição inferior foi devido ao baixo preparo dos jovens de 0 a 14 anos.
Se analisada apenas a capacidade de o aluno sair bem preparado do ciclo primário de ensino, os brasileiros ocupam a 98ª posição. Quando é examinada a qualidade da educação fundamental, a colocação do País despenca para o 118º lugar. Enquanto não forem atacados de forma corajosa e responsável os problemas do ensino brasileiro, continuaremos apresentando índices de terceiro mundo. A falta de interesse em investir na melhoria das escolas, na formação do professor e na valorização de seu trabalho, com salários bem acima dos que são pagos atualmente, são pontos que precisam ser trabalhados com urgência, antes que o Brasil se torne uma Nação de analfabetos.
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