O empresário ribeirão-pretano Pablo Russel Rocha, condenado a 24 anos de prisão por matar a francana Selma Heloisa Artigas da Silva, já está atrás das grades de uma cela da cadeia de Santa Rosa de Viterbo. Na última quarta-feira, quatro de sete jurados decidiram que ele deve responder por homicídio triplamente qualificado (por motivo fútil, uso de recurso que impossibilitasse a defesa da vítima e meio cruel). Mas sua defesa vai recorrer da decisão e buscar sua liberdade.
O crime que chocou Franca e região aconteceu em 1998, em Ribeirão Preto. O corpo de Selma, que era uma garota de programa conhecida naquela cidade como “Nicole”, foi encontrado completamente desfigurado na avenida Caramuru. Ela estava grávida de três meses e morreu presa no cinto de segurança da Pajero de Rocha, após ser arrastada por dois quilômetros e meio pela via.
A sentença, dada após 18 anos do crime e de um julgamento que durou quase 12 horas, contou com depoimentos de cinco testemunhas, sendo três de acusação e duas de defesa. Entre elas, estava um funcionário da boate em que Nicole trabalhava. Ele afirmou ter visto a vítima entrar na Pajero de Rocha horas antes do crime ser descoberto.
Um investigador da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) do município, que trabalhou na elucidação do caso, confirmou o encontro de restos de calçados, saia e blusa da vítima, arrastada por quilômetros pela avenida Caramuru.
Depois, foi a vez de Rocha. O agora condenado disse que discutiu com a garota de programa porque não queria levá-la para comprar drogas. Em sua versão, ele afirmou que arrancou com o veículo e não percebeu que a vítima tinha ficado presa ao cinto.
Porém, para o Ministério Público, a garota de programa foi amarrada ao cinto e arrastada propositalmente. Quatro dos sete jurados seguiram esse raciocínio e optaram pela condenação do empresário. Por isso, na sentença, o juiz Giovani Augusto Guimarães destacou a violência utilizada por Pablo Russel Rocha para matar a Nicole. “O acusado agiu com extrema agressividade, tendo amarrado a vítima para o lado de fora do veículo e a arrastado no asfalto, em ruas desta cidade por quilômetros, conforme reconhecido pelos jurados e demonstrado pelos laudos periciais.”
O caso
Na madrugada do dia 11 de setembro de 1998, pedaços do corpo de Nicole foram encontrados espalhados pela avenida Caramuru. As investigações apontaram envolvimento de Rocha, hoje com 42 anos, no crime.
Dias após o homicídio, o condenado se entregou. Em seu depoimento à Polícia Civil, alegou que Nicole teria ficado acidentalmente presa no cinto de segurança. Ele teria saído em alta velocidade, não percebendo o fato.
Rocha ficou dois anos e três meses preso pelo homicídio, mas saiu em 2000. Por duas vezes, no ano de 2012, sua defesa conseguiu que o julgamento fosse adiado. Até quarta-feira, quando foi condenado e diretamente conduzido à cadeia. (com informações da Folhapress)
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