A ruptura


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Na quinta-feira da semana passada, o povo britânico decidiu, em resultado plebiscitário apertado, pelo afastamento do Reino Unido, da União Europeia, o festejado bloco político e econômico integrado por vinte e oito países.
 
Muito embora a ruptura dependa de ratificação pelo Parlamento Britânico, o fato é que a decisão popular não deverá sofrer revés. A tendência dos legisladores é a de fazer valer a vontade da maioria da população.
 
O fato é histórico e surpreendente. O Reino Unido participa da União Europeia desde 1973. Poderá, ainda, ocasionar um grande estrago no bloco, ao abrir um precedente não pensado: populações de outros da Europa já defendem, abertamente, consulta popular nos moldes britânicos. Segundo especialistas, poderá ser desencadeado um efeito dominó. 
 
O resultado do plebiscito gerou, como consequência, o anúncio da renúncia de David Cameron ao cargo de Primeiro Ministro.
 
Ele lutou de ‘cabeça, corpo e alma’, segundo a sua própria avaliação, pelo não desligamento dos britânicos da União Européia. Aliás, Barack Obama, o presidente norte-americano, também se empenhou em igual sentido.
 
O interessante é que esses blocos políticos e econômicos sempre foram vistos como uma poderosa arma de desenvolvimento continental, sendo certo que a União Europeia sempre foi tida como a experiência de maior sucesso.
 
No entanto, as incertezas quanto ao tratamento a ser dado a imigrantes e refugiados que sobrecarregam o sistema de saúde e roubam empregos; os reflexos da crise econômica e os novos desafios impostos aos países pelos efeitos da globalização, são tidos como as principais causas que levaram o povo britânico a decidir pelo rompimento.
 
Somente o tempo dirá se a União Europeia conseguirá se manter firme nos seus propósitos, e sobreviver à turbulência do cenário atual. Eu não aposto minhas fichas em que isso se dê. 
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca

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