'Não está uma maravilha, mas o sinal é de recuperação'


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O governador Geraldo Alckmin (PSDB) concedeu entrevista exclusiva ao GCN, no estande do grupo
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) concedeu entrevista exclusiva ao GCN, no estande do grupo
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) esteve no Pavilhão do Anhembi domingo à tarde. Ele visitou estandes de empresas do Estado e foi conhecer os produtos que estão expostos no Espaço Moda Franca.
 
Após passear pelos corredores da feira, ser assediado para fotos e ser chamado de “futuro presidente” por lojistas e expositores, Alckmin foi ao estande do GCN, onde concedeu esta entrevista exclusiva.
 
Qual impressão teve da Francal?
Senti, primeiro, que a feira está muito bonita, os estandes são impressionantes. Também notei que o clima é de maior confiança entre os expositores. O câmbio é importante, deve ficar entre R$ 3,40 e R$ 3,50. Isso vai ajudar muito a exportação. Acredito que a economia vai melhorar no segundo semestre e fazer com que o mercado interno se aqueça. Isso tem uma importância econômica e social, porque a indústria calçadista e de acessórios é de mão de obra intensiva, gera muito emprego.
Eu devo estar indo, no começo de agosto, a Franca visitar o Sindicato das Indústrias para a inauguração do Instituto do Calçado, que fizemos em parceria entre o governo do Estado e o Sindicato.
 
A crise econômica está controlada? O que o setor calçadista pode esperar do futuro?
Entendo que a situação já está melhorando e que teremos dias melhores. Mas, não vamos à terra prometida com voluntarismo. É preciso ação, dinamismo, reforma da Previdência, reforma trabalhista e reforma partidária. O governo precisa reduzir os seus gastos. Precisamos de juros baixos. Temos um dos juros mais altos do mundo. Isso não tem sentido. Com a queda da inflação, não tem razão de se manter os juros nesta altura. Também é preciso de câmbio competitivo.
Duas coisas rápidas podem ajudar na retomada dos empregos: exportação e infraestrutura e logística. A construção civil gera muitos empregos.
 
O programa Export São Paulo, que foi lançado no começo do mês em Franca, é uma aposta do governo do Estado para incentivar as vendas para o exterior. 
Nós criamos o “Poupatempo do Exportador”. A ideia é tirar os obstáculos, conquistar novos mercados, desburocratizar, fazer a devolução rápida dos créditos do ICMS. Vamos ajudar no que for possível. Estamos confiantes de que o programa  ajudará muito no crescimento das exportações.
 
A crise atingiu em cheio as empresas calçadistas, que deixaram de fechar pedidos e foram obrigadas a demitir. O que o governo do Estado tem feito para minimizar os estragos causados?
A crise é fruto da política econômica nacional. Imposto muito alto, política fiscal frouxa, juros altíssimos. Aqui, no Estado, nós reduzimos o ICMS para a indústria do calçado de 18% para 7%. Reduzimos do atacadista para 12%. Também adotamos mecanismos para a devolução rápida do crédito do ICMS para a exportação. Possibilitamos financiamentos para conquista de novos mercados, investimos em tecnologia e na capacitação profissional.
Quero dizer que não está uma maravilha, mas o sinal é de recuperação. A gente vê uma confiança maior este ano, aqui na Francal, além da beleza dos produtos que estão sendo expostos.
 
A instabilidade política traz insegurança e faz o setor produtivo ser cauteloso nos investimentos. O processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) será decidido pelo Senado em agosto. O que o senhor espera que aconteça?
Eu defendo o impeachment. Eu já fui deputado federal e votei favorável ao impedimento do então presidente Collor. Hoje, eu não voto, mas, se votasse, votaria sim.
Agora, passado este episódio, é preciso que o governo federal tome atitudes necessárias. O foco tem que ser: emprego e renda, emprego e renda. Isso que é importante para a população.
Não é possível que o Brasil, pelo terceiro ano seguido, tenha PIB (Produto Interno Bruto) negativo. São quase 12 milhões de desempregados. É preciso fazer as reformas rapidamente e dar exemplo de austeridade nos gastos públicos.

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