Não é de hoje que, não apenas no Brasil, mas também em outros países, gênios financeiros utilizam a sua capacidade para cometer crimes. As chamadas pirâmides, que já derrubaram até instituições sólidas, se disseminaram no mundo e mandaram gente graúda para a cadeia, como o financista Bernard Madoff, uma das figuras mais influentes de Wall Street. Ele foi preso em 2008 (e posteriormente condenado) por comandar, por várias décadas, um esquema fraudulento que levou milhares à bancarrota. Aqui no Brasil ocorre o mesmo e a prisão do ex-ministro Paulo Bernardo — um dos nomes mais influentes do PT e que ocupou o ministério dos ex-presidentes Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff —, marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT), mostra que este tipo de “mente criativa” tem trabalhado muito nos esquemas de corrupção.
Desde os desvios da Petrobras que irrigaram o caixa dois e as contas oficiais de partidos em campanhas eleitorais, vê-se que as mentes por trás destes golpes estão trabalhando muito. Depois da descoberta do mensalão, onde malas de dinheiro entravam e saíam de quartos de hotéis de Brasília, as mentes criminosas (e corruptas) buscaram novas maneiras de conseguir desviar dinheiro público. O caso envolvendo Paulo Bernardo é exemplar: os alvos da rapina eram funcionários públicos, pensionistas e aposentados que recorriam a empréstimos consignados, cujas prestações são descontadas automaticamente em folha de pagamento. A cada parcela paga, os funcionários desembolsavam R$ 1 a título de taxa de administração da operadora, uma empresa chamada Consist, com sede em São Paulo. Como o custo da taxa de administração não passava de 30 centavos, os 70 centavos de superfaturamento irrigaram os cofres do PT. O esquema começou em 2010 e durou até 2015.
O que assusta é que o esquema pode ser muito maior. Diversas prefeituras e governos estaduais usam serviços de empresas semelhantes à Consist. Como são remuneradas pelos bancos para gerenciar os empréstimos vinculados aos salários, não é preciso licitação. Quem conhece o setor diz que a relação de prefeitos e governadores com essas empresas não é nada republicana. Vem aí novo foco de investigação. Enquanto tivermos “espertinhos” agindo de olho no dinheiro alheio, estas fraudes continuarão acontecendo. Por sorte, a Polícia Federal não tem deixado passar este tipo de esquema, que tira do bolso do trabalhador para o enriquecimento ilícito de figuras até pouco tempo atrás consideradas de proa na política nacional. É peciso que tudo seja investigado, apurado, julgado e os responsáveis condenados não apenas à cadeia, mas também a devolver todo o dinheiro sujo amealhado.
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