Os pais de uma menina de 9 meses, que morreu na barriga da mãe, após ela passar três vezes pela Santa Casa de Franca com dores e mesmo assim ser liberada, receberam, na semana passada, um laudo do IML (Instituto Médico Legal) que aponta como causa da morte o sofrimento fetal agudo, o que significa a falta de oxigênio dentro da barriga. O caso aconteceu em setembro do ano passado.
Com o resultado em mãos, o cortador Antônio Carlos Vieira, de 30 anos, que aguardava ansioso o nascimento da primeira filha e viu o momento de felicidade se transformar em um verdadeiro pesadelo, resolveu buscar a Justiça e entrar com um pedido de indenização contra a Santa Casa, responsável pelo atendimento prestado. Os pais alegam que os profissionais do hospital foram omissos ao deixar de realizar exames complementares na jovem.
“Vi o melhor momento da minha vida se transformar em um tormento. Durante todo o pré-natal, tudo corria bem. Fomos três vezes na Santa Casa e os médicos afirmavam que estava tudo bem, que minha filha estava vendendo saúde, sem realizar nenhum exame de ultrassom, nada mais específico, e a encaminhavam para casa, mesmo com a minha mulher sentindo muita dor. Somente na quarta vez, quando a mãe já não sentia mais a criança, foi que resolveram fazer o exame e constataram que a minha filha estava morta”, desabafou o pai.
Depois de tentar engravidar por três anos, a mãe da pequena Gabrielly estava feliz à espera da primeira filha. Com o sofrimento da perda, entrou em depressão. “Nunca tive nenhum problema na gravidez, todos os exames apontavam que o meu bebê estava perfeito, mas quando passava das 37 semanas as dores começaram. Sempre fui atendida pelo SUS e procurei a Santa Casa. Minha filha não estava mexendo e, mesmo assim, os médicos queriam que eu esperasse o parto normal. Foi a negligência no atendimento que me tirou a minha filha e quero alertar as pessoas para que isso não volte a se repetir”, disse a artesã Marcela Roberta Ferreira.
De acordo com o laudo do IML, também foram encontrados vestígios de mecônio, as primeiras fezes da criança, no sistema aéreo da menina.
“Vamos pedir uma indenização ao hospital, que foi omisso no atendimento da mãe. A falta de exames complementares aponta que os profissionais foram, no mínimo, omissos nos atendimentos que contribuíram para a morte”, disse o advogado Mário Sérgio Silveira, que representa os pais.
Investigações
O delegado Luís Carlos da Silva, do 1º Distrito Policial, onde foi instaurado inquérito para investigar o caso, informou que ainda não recebeu o resultado do IML e aguarda para tomar as próximas providências. “A partir deste retorno, poderemos determinar se o caso será despachado para o Fórum ou para o Conselho Regional de Medicina.”
O delegado do Cremesp, Ulisses Minicucci, disse que a sindicância sobre o caso está em fase de conclusão e, nos próximos dias, deve ser encaminhado para os pais. “Ainda não tive acesso ao resultado, mas se for confirmada a negligência, será aberto um processo contra os profissionais.”
A Santa Casa não retornou o contato até o fechamento desta matéria.
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