Cesáreas são 69% dos 4,9 mil partos realizados em Franca


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Grávida de sua primeira filha, Cristina Carrijo prefere parto normal e vai na contramão de Franca
Grávida de sua primeira filha, Cristina Carrijo prefere parto normal e vai na contramão de Franca
As cesarianas em Franca representam 69% dos partos realizados na cidade, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde. O índice vale para este ano e também foi o registrado em 2015. 
 
Do começo deste ano até agora, dos 2.399 partos realizados na cidade, 1.662 foram cesarianas e 737 normais. No ano passado, dos 4,9 mil nascimentos nos três hospitais da cidade, 3.381 foram cesarianas e 1.519 foram partos normais.
 
Os números ultrapassam as diretrizes da OMS (Organização Mundial da Saúde) que recomenda que as cesáreas não passem dos 15% dos procedimentos realizados.
 
Uma das justificativas para esses índices é o fator cultural, em que a cesárea é vista como um procedimento menos doloroso, enquanto o parto normal é associado a um sofrimento da mulher. 
 
“A preferência devia ser pelo parto normal, muitas pessoas passam pelo procedimento de forma simples, mas a ansiedade da gestante e a pressão da família fazem a opção pela cesárea ser maior”, afirmou o médico obstetra Flávio Gaspar Tozatti.
 
Esse maior número de cesáreas serviu de base para a normatização de regras para o procedimento. O Conselho Federal de Medicina estabeleceu nesta semana que as cesáreas a pedido da paciente só poderão ser feitas a partir da 39ª semana de gestação. Antes, a idade gestacional mínima para fazer o parto era 37 semanas. 
 
Essa determinação vale para quando não houver indicação médica para antecipação do parto por problemas como alteração na pressão arterial da gestante, rompimento da bolsa ou início do trabalho de parto.
 
A mudança busca garantir uma maior segurança para a saúde do bebê, já que o nascimento antes da 39ª semana traz riscos de prematuridade. “Pode ocorrer, por exemplo, do bebê nascer sem o pulmão bem formado, já que este órgão é um dos últimos a se desenvolver”, explicou Tozatti.
 
O médico ginecologista Raul Hellu Júnior ressalta que essa discussão sobre o melhor tempo para se fazer uma cesariana existe há anos e já é adotada pelos médicos, mas essa resolução veio sacramentar esse debate. 
 
A resolução também prevê que a mulher assine um termo de consentimento esclarecido que explique sobre os benefícios e riscos dos procedimentos. 
 
“Essa regra respeita a autonomia da paciente e a segurança do bebê. Afinal, antes da 39ª semana pode acontecer imaturidade do pulmão da criança e, além disso, no prazo correto, a cabeça do bebê encaixa na bacia da mulher, o que facilita o parto e há menos sangramento”, disse o médico.
 
A medida pode diminuir o público nas UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) neonatais, resultando em economia para os hospitais. “O nascimento depois da 39ª semana reduz o risco de complicações na saúde do bebê, de ter uma infecção hospitalar, por exemplo”, pontua o médico Henrique Pucci Anawate. Para ele é preciso haver uma campanha educativa para incentivar os partos normais.
 
Contrariando a tendência das cesarianas, a assistente financeiro Cristina Carrijo, 28, grávida de 8 meses quer ter parto normal. “Eu prefiro o normal por causa da saúde do bebê, o médico disse que é melhor porque o nascimento será no tempo certo para a criança”, disse a futura mãe.

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