Presa a este corpo, nessas roupas,
olhar frouxo, vou. Trabalho automatizada.
Angústias, desejo de aprovação, revolta, auto cobrança
espreitam-me, estreitam meus passos.
Sigo até o profundo em mim. Soluçado choro.
Posso, sem armas, lutar?
O que são meus inimigos?
Cala teu nojo e engula a fala.
Deus é tardio em irar-se.
Peço que o relógio marque logo seis
mas Jesus deu um barraco certa vez.
Não, o Tempo e o Amor brincam com a Justiça
mas justo mesmo é Deus
e essa maldita calça.
Me ferem de tão justos.
Dá tempo para acusações mordazes
embebidas de preconceitos e ciúmes.
Palavras grandes soltas de graça
fantasiadas em cafezinhos e pedaço de bolo.
Só meus maus poemas e a alucinação da espera
Me revelam: tudo superem, filhas minhas...
...não do mundo, nem de todas vocês juntas.
Mas tem espaço para todo amor.
Guardem suas espadas, emagreçam sua raiva,
ela está se misturando à antiga dor.
A oportunidade faz o ladrão, não?
Não, a falta, a necessidade, ajudam.
Dilacerações psíquicas são às vezes irreversíveis.
Cuidado!
Em vão tento me reaproximar.
Sua justiça é um muro chapiscado
abstrato e substrato orgânico.
Não me fere, aduba minhas flores.
Não combinamos considerações enfáticas
mas reconsidero que o sol me aquece.
O mesmo calor se estende até vocês
doentes de justa causa
enquanto recordo Chaplin:
"A casa segundo podemos mudar nosso futuro"
Meu futuro já começou.
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