Quem acompanha com atenção das investigações da Lava Jato e todas as outras que, na verdade, derivaram daí, tem todas as razões de mostrar a sua indignação. Poucos se salvam e muitos se implicam, com a prisão de nomes que até há pouco tempo comandavam setores estratégicos do governo federal. Depois do senador (hoje cassado) Delcídio do Amaral, agora foi a vez de Paulo Bernardo, que já ocupou os ministérios do Planejamento e das Comunicações nos governos de Luís Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff (ambos do PT), frequentar a cadeia. Marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT), ela também sob a mira das investigações e que só pode ser investigada pelo STF (Supremo Tribunal Federal), Bernardo é acusado de embolsar mais de R$ 7 milhões. As delações, gravações e provas levantadas até agora mostram que poucos estão a salvo, sejam da base aliada, sejam da oposição.
Hoje, sabe-se que os esquemas de fraudes criaram um propinoduto irrigado por dinheiro desviado de estatais, como Petrobras e Eletrobrás, de ministérios e de diversas outras empresas ligadas ao governo, beneficiando empreiteiras, diretores de estatais e políticos. A distribuição do dinheiro decorrente de uma sangria geral dos cofres públicos não se limitava a partidos da base aliada; a oposição também teria sido beneficiada não apenas com doações legais. A tese de que o dinheiro desviado serviu para alimentar o caixa dois de campanhas eleitorais também cai por terra, quando se vê o presidente (afastado pela Justiça) da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), gastando fortunas mundo afora e outros personagens, como o ex-ministro José Dirceu (PT), o ex-presidente Lula e seus familiares e políticos formando um patrimônio incompatível com seus vencimentos, percebe-se que hoje, em política, só o dinheiro conta.
O pior de tudo é que a maioria dos acusados conta com foro privilegiado e só podem ser investigados, julgados e condenados pelo Supremo. Enquanto isso permanecem gravitando em torno do centro do poder, participando das decisões que afetam a população brasileira. O brasileiro precisa se posicionar de forma firme para fazer ele mesmo a revolução necessária para transformar a política brasileira. A arma é o voto, que deve ser motivado por pesquisas em torno do retrospecto do candidato. Além de exigir responsabilidade, temos que acompanhar de perto a atuação de nossos representantes, em todos os níveis. Só assim, conseguiremos transformar os políticos brasileiros. Do contrário, eles continuarão desviando um dinheiro que nos falta em serviços públicos de qualidade.
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