O francano Andrey Borges de Mendonça é o responsável pelas investigações da operação Lava Jato, que levaram nesta quinta-feira, 23, o ex-ministro de Lula e Dilma, Paulo Bernardo para a cadeia. Andrey atua nas investigações há pelo menos dois anos. "Os R$ 7 milhões foi o que se apurou em notas da Consist para o escritório de advocacia. O que apuramos foi que 80% do total repassado ao escritório [cerca de R$ 5,6 milhões] ia para Paulo Bernardo", disse Mendonça explicando sobre a ligação de Paulo Bernardo com o crime.
De 70% dos R$ 100 milhões desviados no esquema no período de 2010 a 2015, Paulo Bernardo teve direito a quantias que variavam de 2% a 9,5%, dependendo de sua função no governo. O restante do total do esquema - 30% - ficava como pagamento para a Consist pelo serviço.
A Operação Custo Brasil, que aconteceu hoje, é um desdobramento da Operação Lava Jato e investiga um esquema de pagamento de propina de mais de R$ 100 milhões para diversos funcionários públicos e agentes políticos do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, entre os anos de 2010 e 2015.
ANDREY
Nascido em Franca, Andrey Borges de Mendonça atua nas investigações como assessor do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O nome dele, inclusive, consta da bombástica delação premiada do senador Delcídio do Amaral, que implicou mais de 70 pessoas e que fez acusações a membros do governo federal e da oposição.
Andrey tem 36 anos e atua como procurador da República há 12. Morou em Franca até sair para estudar Direito na USP, em São Paulo, quando tinha 17 anos. Após se formar, passou dois anos estudando em Franca para o Ministério Público. É irmão do promotor Yuri Borges de Mendonça, integrante do Gaeco. “Minha ideia era entrar para o Ministério Público Estadual, até mesmo por conhecer a instituição pelo meu irmão. Porém, por algumas circunstâncias, acabei nunca prestando concurso para o MP Estadual, mas sim para o Ministério Público Federal.”
Em 2004, então com 24 anos, passou no concurso do MPF. Começou a trabalhar em Campinas, depois em Ribeirão Preto e Santos. Desde 2013, está em São Paulo, na Vara Especializada em Crimes contra o Sistema Financeiro e Lavagem de Capitais. Fez mestrado na Espanha. “Em 2014, no final do mês de março, recebi uma ligação do Procurador da República de Curitiba, Deltan Dallagnol, me convidando para trabalhar na então deflagrada e pouco conhecida Operação Lava Jato. Aceitei o convite e naquele momento os desafios eram enormes: havia várias denúncias a serem propostas, com diversos réus presos, com prazos muito curtos e pouca estrutura.”
HISTÓRIA
No dia 19 de janeiro de 2015, em razão da implicação de diversos políticos, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, criou um grupo de trabalho para investigar os políticos envolvidos e convidou Andrey para fazer parte. “Ao longo de todo o ano de 2015 e até hoje, estou envolvido nessa investigação. Atuamos em diversos acordos de colaboração premiada, desde as negociações até a sua execução e corroboração. No caso do Delcídio do Amaral, eu participei de algumas oitavas. Cada colaboração traz um aspecto novo e amplia o conhecimento que se tem em relação aos fatos.”
O procurador afirma que, embora a Lava Jato não se baseie apenas em delações, o instrumento teve um papel importante em revelar como os fatos ocorreram em seu interior. “Sem ela, ficaria muito difícil saber o que em geral ocorre, em especial em crimes como corrupção, em que os fatos ocorrem entre quatro paredes, sem testemunhas e com poucas provas diretas.”
Andrey conta que as delações vieram ampliar o conhecimento sobre o megaesquema de corrupção espalhado no Brasil. “Em verdade, como o doutor Rodrigo Janot mencionou em uma mensagem, a Lava Jato não é o trabalho de apenas uma pessoa, mas sim o trabalho organizado, profissional e institucional de diversas pessoas e instituições.”
O procurador defende o fortalecimento institucional e uma reforma de todo o sistema processual penal para que se torne mais eficiente. “Atualmente, a Lava Jato é um ponto fora da curva e, sozinha, esta operação não vai mudar o país. Em verdade, deve-se aproveitar esta janela de oportunidade para, não apenas se fortalecer as instituições, mas sobretudo mudar o sistema processual penal brasileiro, que é completamente ineficiente como regra geral.”

Paulo Bernardo foi preso hoje em Brasília
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