Razão para mudar


| Tempo de leitura: 1 min
Todos os que querem um país livre de corrupção e do clientelismo político, comemoraram a decisão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados em recomendar ao plenário da casa, a cassação do mandato do deputado Eduardo Cunha, por quebra de decoro parlamentar. A decisão, porém, foi apertada.
 
O presidente da Câmara está afastado do cargo por decisão do Supremo Tribunal Federal, pois ali já responde a vários processos por práticas, em tese, de condutas ilícitas, apurados na Operação Lava Jato. 
 
Além dos processos no Supremo Tribunal Federal, mentiu despudoradamente ao negar a existência de contas bancárias no exterior, ostentando generosos saldos.
 
Cunha esperava um placar que lhe fosse favorável na Comissão de Ética. Porém, os deputados Wladimir Costa (SD-PA) e Tia Eron (PRB-BA), que eram tidos como apoios certos a Cunha, mudaram o voto na última hora e, assim, optaram pela até então improvável cassação.
 
O fato gerou perplexidade no Congresso Nacional, especialmente quanto ao voto do deputado Wladimir Costa., pois ele, durante os trabalhos da Comissão de Ética, integrou a combativa ‘tropa de choque’ favorável a Cunha.
 
Eis pergunta que está no ar, e não quer calar: o que teria levado esses dois deputados a alterarem seus votos na última hora? Será que tiveram um lampejo de bom senso e resolveram, no estertor do prazo legal, mudarem de lado por entenderem que Cunha, realmente, merece a reprimenda? Ou será que não foram cumpridas promessas nada republicanas eventualmente feitas a eles?
 
É evidente que a verdade dificilmente será conhecida. No entanto, se a mudança do voto se deu porque Cunha não cumpriu o que havia prometido, o episódio me faz lembrar, novamente, meu saudoso avô Setímio Salerno e sua sabedoria. 
 
Em situações análogas, sempre dizia: ‘quer conhecer uma pessoa, coloque-a na política’.
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários