Não é a primeira vez que a situação acontece. Nem será a última. Na década de 1980, a penúltima do século passado, em época de inflação galopante, já houve outra crise igual, envolvendo o mesmo produto, que atingiu preços assustadores e, logo em seguida, registrou desabastecimento. Mesmo custando mais do que o normal, o feijão, tão caro ao paladar brasileiro, provocou corridas aos supermercados, causando filas intermináveis e até tumultos. Recentemente, o preço do tomate pressionou os índices inflacionários da mesma forma que o feijão carioquinha agora. Em 2016 até maio, o feijão subiu 33,49%; em 12 meses, a alta é de 41,62%. Para nós, ao contrário dos moradores de outros Estados, como Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia, por exemplo, o feijão preto, que está bem mais em conta, só se torna importante na feijoada. No dia a dia, só mesmo o carioquinha.
Atualmente, o quilo do feijão supera os R$ 16, contra R$ 6 seis meses atrás. O aumento de preços atinge o prato típico dos brasileiros, o feijão com arroz, e dificulta principalmente a vida dos consumidores de baixa renda, que, acuados pela recessão e pelo desemprego, cortam a compra de itens supérfluos no supermercado. Com a oferta bem menor do que a demanda, os preços explodem e, caso o consumidor não encontre alternativas para substituir o produto, acaba se submetendo e causa o desabastecimento. Por isso, o governo federal decidiu autorizar a importação do feijão. A prioridade será trazer o produto do Mercosul, da Argentina e do Paraguai, por exemplo. Se as importações vindas do bloco não forem suficientes, aí sim o governo incentivaria a chega de feijão vindo de outros países, entre eles México e China, por meio da redução do imposto de importação.
Enquanto o governo se preocupa com a pressão que o preço do feijão causa nos índices inflacionários, o consumidor tenta encontrar alternativas para manter no prato o coadjuvante do arroz, presença diária na dieta do brasileiro. Além do feijão preto, que também sofreu grandes reajustes, mas está mais barato do que o carioquinha, alternativas como a soja surgem como opção, embora também não sejam tradicionais e encontram alguma resistência. Para a maioria, porém, o feijão está sendo deixado de lado. Com a importação, mesmo que o produto não seja o carioquinha, espera-se que os preços caiam e o brasileiro volte a ter no prato o feijão com arroz diário, a um preço acessível.
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