Começaram por volta das 8h20 os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa do processo de cassação contra o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB), na Câmara Muncipal. O primeiro a falar foi o blogueiro e jornalista Marcelo Bomba. Bomba é um dos três denunciantes. Além dele falaram Paulo Dimas (servidor) e Silson Ribeiro (pai de vítima da saúde).
O prefeito Alexandre Ferreira surpreendeu e apareceu ao lado de assessores e de sua advogada. Durante o depoimento de Marcelo Bomba, o clima esquentou quando o prefeito começou a questionar o depoente. Ferreira, que pode ser cassado, insistiu na tese de que a denúncia foi armada.
As regras do depoimento deixaram os presentes confusos. O próprio Alexandre fez perguntas ao blogueiro, de forma bastante agressiva. O prefeito chegou a perguntar se o jornalista seria um "mentiroso contumaz" e afirmou que Bomba teve as verbas de publicidade, que recebia da Santa Casa de Franca, cortadas, e por isso teria feito as denúncias.
Às 9h15, o depoimento de Bomba terminou. Com o encerramento dos questionamentos do prefeito, o clima se acalmou. Antes do término do depoimento, Márcio do Flórida, relator do processo, fez questionamentos relacionados às infrações político administrativas.
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Marcelo Bomba prestou depoimento nas primeiras horas da manhã e foi atacado por Alexandre.
SERVIDOR
O segundo depoimento começou perto das 10 horas. Na oitiva de Paulo Dimas, novamente o prefeito insistiu em perguntas técnicas em relação à licitação ou ao contrato de prestação de serviços. Em todas as perguntas e respostas ele faz comentários muitas vezes depreciativos à testemunha e ainda tentou ordenar as resposta. "O senhor tem que responder sim ou não". Alexandre ainda deu ordens ao presidente da CP, Daniel Radaeli. "Senhor presidente, diz para ele que não é do jeito que ele respondeu. Diz para ele."
A advogada Solange Sechi, que acompanha Marcelo Bomba, teve de intervir para pedir mais respeito por parte do prefeito à testemunha.
Mais uma vez, houve alteração de ânimos. Ao questionar os termos usados pelo servidor Paulo Dimas em sua denúncia - que deu origem à Comissão Processante -, o prefeito afirmou: "O senhor é jardineiro, mas não escreve como um. O senhor diz não ter conhecimento jurídico, mas sua denúncia tem vários termos jurídicos."
E a resposta, Paulo Dimas disse: "Posso parecer idiota, mas tenho uma filha que fez faculdade e, como eu já disse, ela me ajudou", Radaeli, mais uma vez, precisou intervir.
Em seguida, o relator Márcio do Florida passou aos questionamentos. Ele perguntou sobre a formação acadêmica de Paulo Dimas, que respondeu informando que tinha apenas o segundo grau. Também questionou sobre se as acusações teriam sido discutidas em reuniões do PDT, Paulo negou. "De forma alguma, em nenhum momento se discutiu isso dentro do partido".
Depois de um desentendimento entre o prefeito e o vereador Márcio do Flórida, a respeito dos termos usados na denúncia - "Desnecessário o senhor vereador atuar como juiz, promotor e advogado de defesa da testemunha", disse o prefeito - , Radaeli decidiu encerrar o depoimento.

Paulo Dimas, servidor da Prefeitura, foi desqualificado por Alexandre Ferreira.
SILSON RIBEIRO
Por volta das 10h40, Silson Ribeiro se emocionou logo no início de seu depoimento e chorou ao lembrar a morte da sua filha, em janeiro de 2013. "Fico indignado de ver o prefeito levando isso aqui na brincadeira. Estou perplexo de ver a cara dele rindo. Só eu sei o que é perder um filho como eu perdi. Se ele tivesse perdido um filho, tenho certeza de que ele não estaria rindo", disse.
Ele também disse que não queria estar na CP. "Eu jamais queria estar aqui. Mas quero que a Justiça seja feita".
Marcelo Bomba reclamou das intervenções e comentários do prefeito sobre as respostas do Silson Ribeiro
e acabaram batendo boca. O prefeito pediu para que o Bomba fosse retirado do plenário. "Esse moço só tumultua a sessão. Tem que tirar esse moço daqui", disse o prefeito. O bate boca só acabou depois que Radaeli ameaçou suspender a audiência.

Silson Ribeiro acabou perdendo a filha em negligência. "Fico indignado de ver o prefeito levando isso aqui na brincadeira".
MÉDICO
Outro depoimento tomado foi do médico Vínio Oliveira. Durante o depoimento médico, as interrupções do prefeito foram constantes. Em vários momentos, ele aproveitou o uso do microfone para se defender.
Em outros, ele mesmo perguntava e respondia ou tentava induzir a resposta do médico, tentando controlar o andamento da audiência.

O médico Vínio Oliveira trabalha no pronto-socorro.
SECRETÁRIA
A secretária de Finanças, Neide Lopes, também prestou depoimento. Ela negou todas as irregularidades apontadas e disse que a escolha do ICV foi feita de forma legal

A secretária de Finanças Neide Oliveira negou irregularidades.
CONFUSÃO
Depois de um intervalo para o almoço, os depoimentos foram retomados. Na parte da tarde, a primeira a depor foi a médica Claudia Poubel, ex-diretora clínica do pronto-socorro, e uma das primeiras a denunciar as irregularidades envolvendo o ICV. Alexandre novamente apareceu acompanhado de seus advogados.
O delegado e vereador Radaeli iniciou avisando que esperava uma postura diferente e que iria indeferir perguntas que não fossem diretamente ligadas às infrações investigadas.
Mesmo com a posição de Radaeli, Alexandre continuou com postura irônica e com risadas ao fazer questionamentos à médica.
Radaeli esteve com a postura mais dura, não permitndo interferências e perguntas não pertinentes e chamou a atenção do prefeito, que afirmou que as testemunhas que prestaram depoimento estariam mentindo. "Não admitiremos esse tipo de ofensa", disse Radaeli.
Depois de perguntas de cunho pessoal a respeito do seu desempenho como diretora-clínica por parte do prefeito,
Cláudia se irritou e disse que não iria mais responder às perguntas formuladas por Alexandre. "Não vou mais responder a este tipo de questionamento que são coisas de cunho pessoal. Não vou responder", disse.
Alexandre insistiu e pediu para que o presidente da CP a obrigasse a reseponder. "Assim não dá. Eu faço a pergunta e ela não responde. Isso é cerceamento de defesa. Radaeli indeferiu o pedido; "Senhor prefeito, ela tem o direito de se recursar a responder."
Márcio do Flórida focou os questionamentos nos alertas que a médica teria feito à Secretaria Municipal de Saúde e também no caso das fichas falsificadas e em seguida foi encerrado o depoimento.

A médica Cláudia Poubel foi duramente criticada por Alexandre.
CREMESP
Logo após Cláudia, Ulysses Minicucci, que é conselheiro do Cremesp em Franca, começou respondendo os questionamentos do jornalista Marcelo Bomba, que é um dos denunciantes contra o prefeito Alexandre Ferreira.
Em seguida, a defesa do prefeito passou a fazer perguntas. O médico informou que a responsabilidade pelos arquivos é da Prefeitura e os prontuários não poderiam ser copiados sem autorização dos pacientes, já que trariam informaçoes confidenciais.
Durante seu depoimento, o conselheiro do Cremesp afirmou que o órgão informou a Prefeitura de Franca em outubro de 2014, a respeito da existência de um falso médico trabalhando como médico contratado pelo ICV na prefeitura. O caso dos falsos médicos veio a público em julho de 2015.
Segundo ele, houve a abertura de uma sindicância para apurar a morte suspeita de uma mulher, e ao convocarem o médico que constava na ficha, descobriram que ele nunca tinha estado em Franca.
O relator Márcio pediu uma copia do ofício que informou a Prefeitura e o depoimento foi encerrado.

O conselheiro do Cremesp Ulysses Minicucci disse que havia informado a prefeitura sobre os falsários.
EX-DIRETOR
Por volta das 17 horas, começou o depoimento de Ricardo Veríssimo, ex-diretor administrativo do pronto-socorro. Ele voltou a afirmar que entregou as fichas falsificadas a Rosane Moscardini, então secretária de Saúde, e que não revelou a existência delas por uma questão de segurança. "Trouxeram bandidos a esta cidade. Me sentia ameaçado e me sinto ameaçado até hoje", disse.
Mantendo o ataque, Alexandre insinuou que Veríssimo teria tirado cópias das fichas falsificadas para conseguir benefícios como cargos na prefeitura.
Ricardo respondeu que não. "Acho ultrajante esse tipo de insinuação. Nunca pedi cargo nenhum a ele (Alexandre) nem quando ele era secretário de Saúde nem quando ele foi eleito prefeito. Não seria agora que o faria".

"Trouxeram bandidos a esta cidade. Me sentia ameaçado e me sinto ameaçado até hoje", disse Ricardo Veríssimo.
ROSANE MOSCARDINI
A ex-secretária Rosane Moscardini foi a última a ser ouvida na Comissão Processante. Ela voltou a repetir as afirmações já feitas durante a CEI (Comissão Especial de Inquérito) cujo relatório serviu de base para o processo de cassaçao.
Moscardini defendeu o prefeito Alexandre Ferreira, disse que em nenhum momento ele interveio em favor do ICV e que não recebeu nenhuma ficha falsificada. Ela afirmou que entendeu que Ricardo Veríssimo estava atrás de um novo cargo quando guardou as cópias das fichas.
Diferente de suas outras participações na CEI, Rosane se mostrou segura com a defesa do prefeito, respondendo rapidamente e sem pensar, parecendo estar ensaiada.
Rosane disse que so tomou conhecimento das fichas falsificadas em novembro do ano passado quando uma funcionária da Secretaria foi questionada pelo promotor público. "Ele (o Ricardo Verissimo) estava com essas cópias das fichas há quase dois anos, mas só foi admitir ao prefeito em novembro de 2015. Isso é coisa de gente que tem algum problema mental, que quer tirar alguma vantagem", disse.
Ela negou que tenha recebido qualquer comunicado por parte do Cremesp a respeito da existência de falsos médicos e também afirmou que nunca foi alertada por médicos do pronto-socorro sobre o assunto.

Rosane foi amplamente na defesa de Alexandre Ferreira.
Amanhã serão ouvidos os seguintes nomes:
- Roseli Aparecida Oliveira Lopes (servidora pública municipal)
- Rosemary Vilela (servidora pública municipal)
- Lucas Eduardo de Souza (servidor público municipal)
- Marcelo Henrique do Nascimento (servidor público municipal)
- Miziara Flávia Assad (servidora pública municipal)
- Sérgio Gerbasi (servidor público municipal)
- Hélio de Moura (servidor público municipal)
- Joviano Mendes (Procurador Municipal)
- Jerônimo Sérgio Pinto (servidor público municipal)
- Jasminor Gomes (servidor público municipal)
- Alexandre Augusto Ferreira (servidor público municipal)
Fotos: Priscilla Sales/GCN
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