O relatório elaborado por funcionários do Pronto-socorro Infantil denunciando os procedimentos dos falsos médicos colocados pelo ICV (Instituto Ciências da Vida) para atender a população francana deixa claro que o prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) tem que as razões que o levaram a colocar a vida de cidadãos francanos em risco. Mesmo tendo em mãos o relatório, o chefe do Executivo francano manteve o contrato com o instituto, o qual só foi rompido por determinação da Justiça. Mas alguns dos falsos médicos ainda continuaram atendendo a população francana como terceirizados.
Alexandre Ferreira, alvo de investigação do Ministério Público, tem que ser claro ao expor as suas razões, já que compactuou com um crime contra os mais de cinco mil francanos atendidos por quem não tinha qualificação para medicar em solo brasileiro. As revelações das quatro páginas do documento são chocantes: o relatório expõe graves falhas no atendimento que colocaram em risco a saúde das crianças que foram atendidas por médicos contratados pelo ICV, investigado por fraude e contratação de falsos médicos.
Segundo o corpo de enfermagem, desde que o ICV assumiu o atendimento no PSI houve uma queda acentuada da qualidade do serviço prestado. No período em que os falsos médicos atenderam no Pronto-socorro Infantil, houve erros de diagnóstico e na dosagem de medicamentos, além dos retornos imediatos (quando os pacientes dispensados tinham que retornar ao local por causa da persistência dos sintomas da doença). Até fraturas evidentes foram ignoradas.
No documento, ainda denunciam o uso de anabolizantes pelos médicos terceirizados com seringas do próprio Pronto-socorro Infantil. O relatório foi entregue a Alexandre Ferreira am agosto do ano passado e o correr dos acontecimentos mostra que o prefeito não levou o que ali estava narrado em consideração. Nada fez contra o ICV, até que a Justiça determinasse a suspensão do contrato. E, para piorar, manteve alguns dos falsos médicos como terceirizados, permitindo que continuassem atendendo os francanos. Ao contrário do que vem fazendo até agora, o chefe do Executivo francano precisa explicar por que colocou a vida de cinco milhares de francanos em risco.
A sorte é que, repudiado pelos francanos e pelo próprio partido, o PSDB, Alexandre Ferreira deixará a Prefeitura ao final de seu mandato, se não for cassado pela Comissão Processante da Câmara antes disso. E, certamente, terá que se acertar com a Justiça. Antes deve se manifestar e dar as explicações que os francanos esperam há tanto tempo.
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