Área central de Franca, rua Estevão Leão Borroul, 15 horas. Duas jovens enfermeiras conversam. A caminho da Santa Casa, uma tira o celular da bolsa para olhar o horário. Um homem se aproxima, saca uma faca e exige o aparelho. Instintivamente, ela puxa o objeto para si e sente a faca encostar em sua barriga. Nenhuma palavra é dita. Ele o pega e foge.
Avenida Major Nicácio, em frente a uma escola de idiomas, 12h40. Uma estudante carrega seu celular em uma das mãos. O mesmo homem chega perto, coloca a faca em seu pescoço e vai embora com o aparelho. Essas situações descritas foram apenas duas de pelo menos doze vividas por jovens francanas nos últimos três meses no Centro. O responsável está atrás das grades. Trata-se de Tales Henrique Rita, de 28 anos, morador do Jardim Planalto. Ele também é suspeito de mais roubos ocorridos recentemente em outros pontos da cidade.
O servente de pedreiro, que já cumpriu pena por assalto e saiu da cadeia em 2012, começou os roubos em março deste ano. Agia sempre da mesma forma: entre meio-dia e 18 horas, em ruas movimentadas da cidade, aproximava-se sorrateiramente das vítimas - mulheres com idade entre 14 e 25 anos - e, com a faca em seu pescoço ou na barriga, exigia os celulares. Depois, pelas redes sociais, comercializava os aparelhos.
A ação foi interrompida pelo delegado Pedro Luiz Dallaqua, que, através de imagens de câmeras de segurança, relatos das vítimas e do trabalho dos investigadores Rodrigo Trocolli e Antônio Oliveira, chegou ao suspeito. “Apesar de negar os roubos, cinco celulares de jovens estavam em seu poder e foram recuperados no sábado, quando cumprimos o mandado de prisão temporária na companhia da Polícia Militar e o prendemos na Vila Gosuen”, disse Dallaqua.
Ontem, Tales Henrique Rita, que está preso na Cadeia Pública de Batatais, esteve no 1º Distrito Policial e foi reconhecido por três vítimas. Uma delas, de 19 anos, foi assaltada no dia 29 de abril. “Estava com minha mãe em frente ao hotel Tower quando ele colocou a faca no meu pescoço e mandou entregar o celular. Minha mãe até bateu nele com o guarda-chuva, fazendo a faca cair. Mas ele levou meu aparelho mesmo assim. Pelo susto que passei e pelo que fez, espero que fique preso”, disse.
Além desses casos, o delegado instruiu que quem foi vítima recentemente do servente, deve se dirigir ao DP, já que ele pode ter roubado, no total, mais de 20 mulheres. “Além dos doze assaltos, temos a suspeita de que ele tenha agido em outras regiões de Franca, como no Parque Universitário”, disse Trocolli.
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