Nossa economia anda para trás


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Dificilmente o Brasil conseguirá dar a volta por cima na crise na presente década. Diante dos índices, ainda negativos, envolvendo o crescimento econômico do País, e das medidas insípidas tomadas até agora pelo governo federal, especialistas apontam uma ‘virada’ apenas para 2023. Pode acontecer antes, caso sejam feitas as reformas imprescindíveis para que o governo deixe de gastar mais do que arrecada. Enquanto o nível de emprego não subir e a produção (não só a industrial) for retomada, dificilmente veremos a recuperação dos números hoje deteriorados. Apenas a limitação dos gastos públicos a um teto estabelecido pelo Planalto não será capaz de resolver a questão, uma vez que nada do que seja definido hoje não possa mudar amanhã, principalmente por causa do Congresso, tão suscetível às demandas dos ocupantes do Planalto em detrimento daqueles que deveriam representar, os eleitores.
 
Para se ter uma idéia do tamanho do buraco em que estamos metidos, basta ver que as classes menos favorecidas da população estão perdendo todos os avanços sociais conseguidos em uma década. O jornal Folha de S. Paulo publicou em sua edição de ontem que o aumento do desemprego tem feito com que a desigualdade volte a crescer. Desde o início do segundo mandato da presidente afastada Dilma Rousseff (PT) a desigualdade entre os que compõem a força de trabalho (desempregados e ocupados) subiu quase 3% — número alto para um indicador que varia pouco ao longo do tempo. Nesse período, a taxa de desemprego subiu de 7,9% para 10,9%. O levantamento se baseia em informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), cuja série começou em 2012.
 
A renda do trabalhador tem regredido, por causa da situação econômica do País: muitos aceitam até uma redução de jornada atrelada ao corte de salários para não perder o emprego. Além disso, desempregados se sujeitam a reduzir os vencimentos em nova contratação. O corte de itens de consumo, principalmente os ligados à alimentação, tem sido uma das saídas para as famílias manterem seus compromissos dentro do orçamento. Mesmo assim, a inadimplência tem crescido na mesma velocidade do desemprego, colocando cada vez mais brasileiros na lista de devedores. Não há uma fórmula pronta capaz de reverter este quadro que prejudica os mais carentes e volta a colocar centenas de milhares de brasileiros na linha da miséria. O Planalto precisa acelerar as medidas de ajuste na economia se quiser acabar com a crise pelo menos em médio prazo. Do contrário, estaremos condenados a descer ainda mais rápido a íngreme ladeira da recessão.
 
 
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