O ano de 2015 entrará para a história da Fundação Espírita Allan Kardec, de Franca, com um dos mais difíceis de seus 94 anos. Há quinze anos o poder público tenta implantar serviços substitutos para tratar doentes mentais sem internação, com o objetivo de ressocializar. Devido à não renovação do Convênio SUS, a judicialização de nossos serviços está prestes a completar um ano.
Pelo que ocorreu no período, restou sempre claro que o melhor tratamento, aquele com humanidade e respeito, marca da Fundação, é o que fez diferença no atendimento a pacientes com transtornos mentais e dependência química.
Em duas audiências públicas realizadas nos últimos meses, depoimentos de familiares de pacientes, de vereadores, de colaboradores e diretores de hospitais psiquiátricos, que internação em instituições especializadas é da mais extrema importância. Nossa sobrevivência, como entidade filantrópica, somente aconteceu por recomendação do Ministério Público Estadual a Ação Civil Pública promovida pelo Ministério Público Federal. Decisão da Justiça Federal, por liminar, garantiu que valor de diária, de R$ 42,37, passasse a R$ 102,60.
Quando decidimos não renovar convênio com o SUS., cujo gestor era o município de Franca, muitos disseram que fazíamos loucura em romper. A atual diretoria entendeu o contrário exatamente o contrário: a continuar, quebraríamos a Fundação. A situação atual demonstra a correção da decisão tomada. A nova realidade permitiu que recebêssemos mais que o dobro do que vínhamos recebendo. Liquidamos todas as dívidas e mantivemos nossos compromissos em dia.
Esperamos que as mudanças governamentais, principalmente no Ministério da Saúde, possam implementar as medidas necessárias mas se seja ouvindo os que lidam diariamente com pacientes e com seus familiares, garantindo que, base na humanidade, respeito e competência profissional, possam eles receber o melhor dos tratamentos.
Wanderley Cintra Ferreira
Presidente voluntário da Fundação e Hospital Allan Kardec, de Franca
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.