E se gritar pega ladrão, não fica um


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O Brasil acompanha, agora com a respiração suspensa, cada lance da delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, agora que a Justiça retirou o sigilo sobre o depoimento de quem diz ter distribuído mais de R$ 200 milhões em dinheiro desviado da subsidiária da Petrobras. Nunca se viu tantos políticos com mandato suspeitos de embolsarem um dinheiro que não lhes pertence. Nem no Mensalão se chegou a tanto. Mas, caso a delação do publicitário Marcos Valério, operador do esquema que remunerava políticos e partidos, tivesse sido aceita depois do julgamento do Mensalão, com certeza a política brasileira começaria a ser depurada lá atrás. Sérgio Machado não economiza o verbo: entrega desde os padrinhos políticos (Renan Calheiros, presidente do Senado, e José Sarney, ex-presidente da República, ambos do PMDB) até o senador tucano Aécio Neves, que já tinha sido implicado por Delcídio do Amaral, preso durante o mandato.
 
O ex-presidente da Transpetro mira pelo menos 20 partidos políticos. Outro delator, Léo Pinheiro (da empreiteira OAS) não alivia nem a Rede Sustentabilidade, acusando Marina Silva de ter recebido dinheiro da empresa para fazer caixa dois. Até o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo (PC do B) é acusado pelo ex-deputado Pedro Corrêa de receber propina. Agora, as delações (que já derrubaram três ministros do governo de Michel Temer) colocam todo mundo no mesmo balaio — PT, PMDB, PSDB, Rede, DEM, PP e vários outros. É um Deus nos acuda! Será que no meio de tudo isso não vai surgir uma liderança política honesta e responsável, capaz de assumir o comando dos destinos do País sem que tenhamos dúvidas a seu respeito? Até agora, com Dilma afastada e Temer suspeito — Eduardo Cunha está prestes a cair e Renan Calheiros pode seguir o mesmo caminho —, qual a nossa perspectiva de futuro?
 
Não podemos mais aceitar como ideal o modelo “rouba mas faz” e muito menos permitir que continuem participando das decisões que nos afetam diretamente aqueles que tratam o público como privado, locupletando e colocando nos seus bolsos o dinheiro que deveria estar permitindo uma vida mais digna a milhões de brasileiros, principalmente os das faixas menos favorecidas da população. Estamos vivendo hoje uma fase onde “se gritar pega ladrão, não fica um, meu irmão” — samba de três décadas atrás e que desenha bem a situação atual. A cada dia, mais um político entra na mira da investigação da Lava Jato, mostrando que o Brasil precisa ser reinventado politicamente. E o que é pior: se todos os acusados forem efetivamente condenados, vai faltar cadeia para os criminosos ditos comuns.
 
 
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