Ousadia de marginais leva medo às entidades francanas


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Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida), no Jardim do Éden, zona leste de Franca, foi assaltado no dia 16 de maio
Iansa (Instituto de Apoio Nossa Senhora Aparecida), no Jardim do Éden, zona leste de Franca, foi assaltado no dia 16 de maio
Imagine um local com as portas abertas para acolher quem precisa de ajuda. Pense nas dificuldades para manter o espaço e arcar com as despesas sem, em alguns casos, receber apoio dos órgãos competentes. Agora, pense nessa instituição montada, com voluntários que destinam seu tempo, energia e dinheiro para ver tudo funcionando, sendo destruída por bandidos. Essa situação foi vivida por pelo menos cinco responsáveis por entidades assistenciais de Franca. E em nenhum dos crimes, os responsáveis pelos “limpas” foram encontrados.
 
A audácia dos ladrões é tamanha que até instituições que cuidam de crianças e pacientes com câncer foram alvos. De dezembro de 2015 até junho deste ano, foram cinco ataques a creches, escolas e até casa de apoio para pessoas com câncer. Esse foi o caso do Iansa (Instituição de Apoio Nossa Senhora Aparecida). Em maio, dois ladrões com faca e revólver renderam funcionários e pacientes. Agrediram um dos reféns, de 81 anos, que trata de um câncer na próstata, bateram na motorista da van da Prefeitura de Ituverava, levaram mais de R$ 3 mil e o veículo, que estava no local após deixar os pacientes no Hospital do Câncer. “Nunca imaginamos uma crueldade desse tamanho, ainda mais em um local que busca apenas ajudar quem precisa”, disse Eliane Bonine, presidente do Iansa.
 
Tristeza semelhante vivenciou a presidente da Academia de Artes, ONG mantida pelo GCN, Sonia Machiavelli. No dia 9 de março, bandidos invadiram o local e levaram nove computadores novos, geladeira, um micro-ondas, um bebedouro e um botijão de gás. “Mais do que indignada, estou triste, pois constato que a violência cresce de forma avassaladora por todo lado, impulsionada pela impunidade e pelas atitudes criminosas daqueles que, como autoridades, deveriam ser exemplo e referência”, disse a presidente.
 
Os 500 alunos da Academia de Artes tiveram as atividades suspensas por um tempo, mas, com o apoio de voluntários, logo a instituição se reergueu. Os responsáveis pelo crime, porém, continuam soltos e sem identificação. O caso segue sob investigação no 4º Distrito Policial.
 
Do outro lado da cidade, no mesmo mês, a Amafem (Associação Mão Amiga de Amparo Feminino), no Jardim Luiza, foi invadida por bandidos. Eles danificaram janelas e portas antes de fazer uma “limpeza” no local. Fugiram até com chuveiros. Também nesse caso, a Polícia Civil ainda não chegou aos ladrões.
 
A falta de pistas dos acusados também é motivo de preocupação para agentes do 1º Distrito Policial. Eles estão em busca dos autores de um furto à ONG Secos e Não Molhados, no Centro da cidade. No dia 9 deste mês, o VW Gol da responsável, Fátima Pires, foi subtraído em frente à sede. O veículo foi localizado 12 horas depois, em um cafezal, sem os pneus, bancos e direção.
 
Os furtos atingiram também um centro social e pedagógico da Vila Scarabucci, mantido por uma igreja evangélica. Na mesma semana do ataque ao carro da Secos e Não Molhados, até as panelas do espaço foram subtraídas. Ninguém foi preso e esse caso também está sob responsabilidade do 4º DP. Não há, segundo os policiais, relação entre nenhum dos crimes citados.
 
Para se ter uma ideia maior dos ataques a quem trabalha em prol da população, há também o caso do Berçário Dona Nina. Na madrugada do dia 14 de dezembro de 2015, a casa da diretora, Rosinha Aylon, na Vila Santos Dumont, foi invadida por bandidos. Eles levaram oito cestas básicas e mais de 100 brinquedos que seriam doados no Natal. “Fiquei muito triste quando vi que levaram o que arrecadamos para ajudar as famílias que tanto precisam e os brinquedos que fariam a alegria de várias crianças”, contou.
 
Por sorte, após o episódio, a população se sensibilizou com o furto e arrecadou quase o triplo contido na ocasião do furto. Apesar de em nenhum dos casos os ladrões terem sido presos, a luta continua. E, com ela, a esperança de que os responsáveis sejam encontrados e os ataques cessem. “Continuaremos trabalhando, como sempre”, garantiu Eliane Bonine.
 
 

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