Ivo Júnior: de trabalhador rural a sommelier em Franca


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Determinação, força de vontade, sede por aprender. Ivo Gomes Tomaz Júnior, 30, atual sommelier do restaurante Azul Culinária Brasileira, trabalha desde muito novo para atingir seus objetivos. Foi tratorista e trabalhou na lavoura de café em Ituverava, foi chapeiro de lanchonete, pizzaiolo, garçom, entre outras profissões, tudo para arcar com seu sonho de ser sommelier. E seus planos não param por aí. Confira mais em nosso Jogo Rápido deste domingo. 
 
Quando surgiu em você o interesse pela área de gastronomia e vinhos? 
Entrei nesse meio mais por hobby, sempre gostei de cozinhar em casa, gostava de comer bastante também. Quando eu ia viajar era uma das minhas principais buscas conhecer a gastronomia local. E também sempre trabalhei nesse meio, seja como chapeiro de lanchonete, pizzaiolo... Quando mais jovem, trabalhei na roça também, na lavoura de café, como tratorista, tudo em Ituverava. Esses trabalhos são uma coisa de que não gosto, fiz mais para agradar ao meu pai, já que venho de uma família de motoristas. Quando vim para Franca, foi para estudar mesmo gastronomia.
 
Como foi sua mudança para Franca? 
Cheguei em Franca para cursar gastronomia e tinha o sonho de ser chef de cozinha. Entretanto, no decorrer do curso, vi que não era aquilo que queria fazer, me decepcionei um pouco, fiquei frustrado... É muito diferente você cozinhar por hobby, para os amigos, e ter isso (a gastronomia) como profissão. Como já estava estudando, e gostando muito do curso, decidi procurar algo secundário, diferente, que eu me adaptaria melhor. O já falecido Fernando Dagoberto, que foi um dos fundadores do curso, dava aulas de bebidas, aulas de enologia. Daí surgiu meu interesse pela área de vinhos. Fiz um curso básico com a Fernanda (Barbosa, do Clube de Vinhos do Galo Branco), que foi um curso iniciante, mas que fez abrir as portas, aumentar meu interesse pelo mercado de vinhos. 
 
Como foi a sua qualificação de sommelier? 
Após esses cursos locais, trabalhava no Lu Wasabi e percebi que precisava de algo a mais em termos de qualificação. Então, decidi fazer o curso da ABS (Associação Brasileira de Sommeliers), em São Paulo. Foi bem difícil essa fase, pois tinha aquela coisa de viajar toda semana, toda segunda-feira, para a capital, já que o curso tinha dois anos de duração. Saía domingo à noite de ônibus bate-volta da Nena, assistia a aula na segunda-feira e pegava o ônibus para vir embora para já trabalhar na terça. 
 
Como você analisa o mercado de vinho nacional? Temos alguns rótulos comparáveis aos melhores internacionais? 
Acho que temos bastante coisa boa. Casa Valduga, Aurora e Miolo são bons. Nós, brasileiros, temos aquela coisa muito do preconceito, preferimos importados e pagar R$ 200, R$ 300 numa garrafa... Tudo bem, a gente pode não encontrar alguns produtos específicos com o mesmo padrão de qualidade, mas também temos que valorizar o que é nosso e há muitos vinhos bons no Brasil. 
 
Em sua opinião, é possível comprar um vinho nacional com um preço interessante? 
Vinhos bons têm um preço mais elevado mesmo, a gente sempre brinca falando que ninguém faz milagre, né? (risos). Mas também acho que a gente tem que parar de gastar grandes fortunas em vinho. Há sim boas opções por um preço razoável, como o Identidade Gewurztraminer, da Casa Valduga, que é um branco e sai muito aqui no Azul, e tem um preço entre R$ 50 e R$ 70. Tem uma ótima qualidade e pouca gente conhece essa uva.
 
Qual é seu sonho profissional? 
Penso em ficar um tempo fora do Brasil no futuro. Quero também dar cursos de vinhos, montar um clube, nossa confraria, mas isso a longo prazo. 

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