Escondendo o lixo debaixo do tapete


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Manter um réu condenado (mesmo que em primeira instância) em contato com o público, além de minar a credibilidade do Poder Público, ainda pode colocar em risco as pessoas que usam a repartição onde o servidor em questão atende. O prefeito Alexandre Ferreira (PSDB) parece não se preocupar com isso. Ele notabilizou-se, durante todo o seu mandato, por defender auxiliares e servidores flagrados em situações ilegais e imorais. Em seu primeiro ano de mandato, o chefe do Executivo francano resistiu em demitir o então secretário Wilson Luiz Teixeira, condenado por improbidade administrativa. Só o fez depois que o Ministério Público enviou notificações, cobrando providências e ameaçando processá-lo, é que Alexandre demitiu o auxiliar.
 
No correr dos anos, a mesma solução se multiplicou, inclusive no caso da quadrilha de falsos médicos que se instalou nos dois Prontos-socorros municipais (“Dr. Álvaro Azzuz” e Infantil). A Prefeitura pagou uma pequena fortuna ao ICV (Instituto Ciências da Vida) que trouxe os falsários para o município e “turbinou” o dinheiro recebido à custa de fraudes envolvendo plantões “fantasmas”. Por isso, o prefeito foi alvo de uma CEI (Comissão Especial de Inquérito) que desembocou numa CP (Comissão Processante) na Câmara dos Vereadores, que pode determinar sua cassação. Sua atuação, quando se trata de ilegalidades e irregularidades, é a mesma: defende o infrator, blinda o fraudador e pune apenas aqueles que têm coragem de apontar os erros de sua administração.
 
Agora a população vê uma situação absurda instalada na saúde pública. O médico Everaldo Alves Martins, que atende nas UBSs (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Aeroporto e Parque Progresso, foi condenado pela Justiça, em Santa Rosa do Viterbo, por dois crimes de violação sexual mediante fraude contra duas mulheres, em 2014. Mesmo diante da condenação, a Prefeitura mais uma vez não se mexeu: o médico continuou atendendo normalmente. A situação por si só já é, como dito anteriormente, absurda, mas ela se torna ainda pior na medida em que se sabe que o médico é ginecologista, ou seja, atende mulheres que se veem intimamente expostas a um médico com esse tipo de condenação. 
 
Somente agora, depois que a informação se tornou pública, a Prefeitura anunciou a abertura de uma sindicância interna para apurar o caso, mas o médico que segundo a UBS do Aeroporto, está de férias, continuará atendendo normalmente. Mais uma vez, Alexandre Ferreira deu mostras da sua incapacidade administrativa ao manter um suspeito de crime sexual, agora condenado, atendendo mulheres em duas unidades sob a responsabilidade do Poder Público. O que fica claro, novamente, é a teimosia do prefeito em agir de acordo com o que se exige de um gestor público, com responsabilidade e preocupado com bem estar daqueles que o elegeram.
 
 
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