As exportações caíram 26,87% em Franca nos primeiros quatro meses do ano em comparação com o mesmo período de 2015, de acordo com dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. A queda representa menos US$ 16 milhões injetados na economia da cidade. E, entre os principais vilões dessa queda, está a exportação de calçados, que foi responsável por mais de 60% dessa fatia: US$ 6,5 milhões em pares de calçados deixaram de ser vendidos para o exterior nos primeiros meses deste ano.
Para José Carlos Brigagão do Couto, presidente do Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca), a instabilidade econômica e política é responsável pela situação. “Vivemos uma situação muito preocupante para o setor com uma incerteza muito grande. Nesse momento, o cenário não é favorável e vemos as empresas venderem menos e, assim, influenciar negativamente o mercado”, disse.
Nos primeiros quatro meses de 2016, Franca exportou 1.132.063 pares ante 1.152.011 no mesmo período do ano passado, o que representa uma queda de 1,73%. Com o aumento do dólar, o valor médio do par também caiu de US$ 25,54 para US$ 20,50, mas nem isso foi suficiente para impulsionar as vendas e aumentar a competitividade do produto francano no exterior.
“Apesar do dólar estar em alta, o fato dele oscilar muito acaba prejudicando consideravelmente as negociações. Os compradores têm receio de que ele aumente muito de uma hora para outra e isso prejudica no momento da compra. O Brasil precisa de uma mudança drástica e uma política clara de exportação, só assim poderemos reverter esse quadro”, completou Brigagão.
A exportação de couro e derivados também sofreu queda em 2016. No ano passado, mais de US$ 21 milhões foram comercializados com outros países contra US$16 milhões agora.
Diferente do ano passado, quando a exportação de vestuário, móveis e produtos de beleza havia crescido, nesse ano a venda desses produtos também caiu. Em contrapartida, as exportações de acessórios, frutas conservadas, máquinas de costura, malas e gravuras cresceram, mas os números foram insuficientes para reverter a balança comercial.
Para o agente de exportação Cassiano Pimentel, que trabalha com o mercado de calçados há 32 anos, nunca um início de ano foi tão ruim como 2016. “Além dos problemas enfrentados pelo Brasil, que são muitos, todo o mundo passa por um momento de reestruturação econômica e isso tem prejudicado as vendas. Mesmo com o dólar favorável para a exportação, o mundo não está comprador e vemos uma economia extremamente retraída. Sempre temos esperança de melhorar, mas em mais de 30 anos nunca vi um momento tão ruim”, disse.
Café tem queda de 80%
A venda de café para o exterior caiu mais de 80% no início desse ano, de US$ 4 milhões para apenas US$ 800 mil. Segundo o gerente de comercialização da Cocapec (Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas), Jandir de Castro Filho, diferente dos outros produtos, o principal motivador para a queda foi a safra ruim do café em 2015. “A falta de chuva no final de 2014 e início de 2015 prejudicou a safra de café na região e, por isso, não havia muito produto para vender”, disse.
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