A mágica dos sorrisos imperfeitos


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A sociedade está aficionada no padrão de beleza do homem da propaganda de produtos de cosméticos. Para quem ainda não o conhece é aquele de cabelo perfeito trabalhado no gel, ombros largos devido à prática constante de natação, braços musculosos advindos da academia, e sorriso tratado com muito clareamento artificial que quase dá para sentir o cheiro do hálito de menta, e o perfume amadeirado na camisa. Mas particularmente, sempre vi mágica em sorrisos imperfeitos.

Dia desses vi uma reportagem pautada na “crise da perfeição”, apesar de, particularmente, nomear esta época como a “crise da hipocrisia”. Afinal, o que seria a perfeição reduzida a uma linha? Nada mais que um fenômeno que muda de cultura para cultura ao passar dos anos.
 
Há um século arqueólogos encontraram uma peça de 28 mil anos: uma mulher de seios enormes e abdômen nada definido é a Vênus de Willendorf, símbolo da fertilidade. Em 1200 aC. homens frequentavam as academias que eram ambientes onde estudavam filosofia mas também exerciam práticas de boxe e luta, contudo exibiam o físico trabalhado. Já durante a Idade Média, qualquer preocupação com o corpo era vista como afrontamento às leis divinas. No período Renascentista existe o resgate de valores humanistas e artísticos: mulheres gordas, de seios fartos e cabelos longos são constantes em obras de arte da época. Em 1920: o sex-appeal. Em 1940: o padrão hollywoodiano. Na década de 1980: Schwarzenegger era venerado pelos seus músculos. E hoje? Meninas morrem de fome, e meninos dedicam-se a clareamentos dentais.
 
Há uma estranha mágica em sorrisos imperfeitos, em barrigas salientes, em cicatrizes perto da sobrancelha. Há beleza na barba por fazer, nos pelos que saem naturalmente pelos botões da camisa. Vivemos em uma época que não se preocupar com padrões é quase uma prática revolucionária. Não conheço, além de mentirosos, pessoas que digam que são completamente felizes com a carcaça que possuem. Por isso, os sorrisos com falhas são os que sorriem verdadeiramente.

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