Mesmo diante da crise econômica, os vereadores de Restinga aprovaram um reajuste de 18% nos salários deles próprios e de 20% para o presidente da Câmara, para 2017. O aumento deixou a população indignada, já que o município vive problemas em diversos setores públicos. Os vereadores ganham, atualmente, R$ 2.900 e passarão a receber R$ 3.422. O presidente da Câmara terá um reajuste de R$ 3.300 para R$ 3.960.
O aumento é baseado no artigo 37 da Constituição Federal, que permite que os pagamentos sejam alterados pela legislação com finalidade de revisão anual dos valores.
Para o presidente da Câmara Municipal de Restinga, Osvaldo Martini Miguel Cubas, o “Torrinha”, o reajuste é só uma correção inflacionária. “Não é um aumento, estamos só corrigindo a inflação e não é para nosso mandato, é só para o próximo”, disse ele.
O primeiro secretário da Câmara da cidade, Moisés Radaeli, também justificou o aumento mencionando a reposição do índice.
Além dos vereadores também foi aprovado, em fevereiro, um aumento de salário para o prefeito e para o vice-prefeito, que passarão a receber R$ 9.480 e R$ 4.680, respectivamente. O reajuste valerá a partir de 1º de janeiro do ano que vem.
De acordo com o presidente da Câmara, “Torrinha”, atualmente a prefeita recebe cerca de R$ 7 mil e o vice aproximadamente R$ 3,4 mil . A reportagem procurou a prefeita da cidade, Luciene Martins, para comentar sobre o assunto, mas ela não foi encontrada na sede da Prefeitura nem por meio de contato telefônico.
Para moradores de Restinga, tais aumentos são desnecessários e abusivos. “Acho um absurdo, com essa crise, com creche e obras paradas, os políticos quererem receber mais. Restinga parou no tempo, ninguém quer investir na cidade”, disse o segurança Antônio Marcos de Oliveira, 40.
Tanto o salário atual quanto a porcentagem do reajuste são considerados excessivos pelos cidadãos ouvidos. “Quando tem reajuste no salário de pessoas comuns, nunca aumenta desse tanto. Eles já ganham demais e nem atendem bem a população”, disse a comerciante Janaína Martins, 37.
Morador de Restinga há 40 anos, o agricultor aposentado Aderico Vieira de Souza, 65, é o outro que ficou indignado. “Na parte da Saúde, faltam médicos e medicamentos e não tem emprego para ninguém na cidade. Eles deveriam usar o dinheiro para fazer melhorias”, reclamou.
Outras cidades
A Câmara de Ribeirão Corrente também aprovou um aumento de 35% para vereadores e de 10,7% para o prefeito, em sessão neste mês. Na ocasião, parlamentares disseram que usavam o dinheiro para dar botijões de gás, cestas básicas e pagar contas de moradores da cidade. Diante das declarações, o Ministério Público investigará eventual compra de votos.
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