Intolerância


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O ato de terror que assombrou o mundo, praticado por um fanático provavelmente ligado ao Estado Islâmico, e que terminou com a morte de aproximadamente 50 seres humanos, feridos outras dezenas dentre frequentadores da boate Pulse, em Orlando, na Flórida (EUA), expôs, novamente, a barbárie decorrente da intolerância religiosa, do ódio desmedido, da homofobia e da dificuldade de alguns em conviver com contrários.
 
O fato serve para reabrir a velha discussão nos Estados Unidos, ligada à facilidade de se adquirir uma arma de fogo, tema recorrente em todas as campanhas presidenciais, inclusive na que atualmente lá está em curso.
 
Sim. O atirador era cidadão americano filho de imigrantes afegãos, e tinha apenas 29 anos, paradoxalmente, antes do ato transloucado, empregado como segurança particular tinha licença legal para possuir e portar duas armas, essas que, seguramente, foram utilizadas para o cometimento dos crimes.
 
Segundo o pai do atirador, seu filho era um homem de bem, e o ataque praticado pelo ele teria ocorrido por estar irritado com o fato de ter presenciado dois homens se beijando em plena via pública. 
 
Portanto, ai está justificativa absolutamente inconcebível, e que só faz reforçar, infelizmente, a intolerância e a homofobia de alguns.
 
Confesso que dentro dos meus princípios religiosos, não consigo assimilar, ou muito menos entender um ato de tal jaez, praticado em pleno século XXI. 
 
Tenho como certo que a Terra e seus habitantes estão em constante processo evolutivo, sendo inimaginável uma barbaridade dessa e ainda sob o argumento de que teria sido praticada em nome de Deus.
 
Continuo sonhando com um planeta nos moldes idealizados pelo ex-beatle John Lennon, descrito com maestria em sua composição Imagine, ou seja, uma sociedade ‘sem razões para matar’. 
 
Mas, vejam como é: ele próprio acabou sendo vítima da intolerância.
 
 
SETÍMIO SALERNO MIGUEL
Advogado empresarial, professor da Faculdade de Direito de Franca 

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