A crise econômica que vivemos é maior do que a de 1929 e 30, quando o café teve de ser queimado na tentativa desesperada de fazer seu preço reagir no mercado internacional. A lembrança histórica é do Ministro da Fazenda.
Apesar da magnitude do problema, temos condições de resolver com medidas internas. As primeiras semanas de Michel Temer à frente do governo gera sinais de pequeno reequilíbrio e, principalmente, desperta confiança do empresariado, que fala em voltar a investir.
É inoportuna e até impatriótica, no entanto, a forma que a presidente afastada e os que a seguem, se comportam.
É justíssimo que Dilma e seus aliados desenvolvam suas defesas no contexto do processo de impeachment instalado e sob responsabilidade do Senado, tentando convencer senadores a desaprovarem o fim de seu mandato.
O problema que não mantêm essa defesa circunscrita a esse foro. O ativismo de entrevistas nacionais e internacionais que denigrem a imagem do governo provisório e do Brasil, e a tentativa de mobilizar as massas, nos parecem impróprios, até ilegais.
Mais do que ter Dilma ou Temer à frente do governo, interessa preferencialmente termos um país com economia recolocada no lugar, e instituições funcionando a contento, com garantia de emprego, ordem pública, saúde, trabalho, etc. Blefes de ‘greve geral’, de ‘incendiar o país’, de colocar o povo na rua para protestar ‘em nome da democracia’, são extemporâneos e podem gerar confronto, nunca solução.
Favoráveis e os contrários ao impeachment já tiveram a oportunidade de colocar suas posições em grandes manifestações públicas. Tanto que o processo evoluiu e hoje está em sua última instância, conforme determina a Constituição e atesta o STF.
Convocar o povo para se manifestar nesse momento é, acima de tudo, desrespeitar o próprio povo. Não ajuda em nada na solução da crise. Pensemos nisso...
Dirceu Cardoso Gonçalves
Tenente, diretor da Associação de Assistência Social dos Policiais Militares de São Paulo
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