Paulo Dimas Borges Barboza tem 63 anos. É servidor concursado da Prefeitura desde maio de 2006. Trabalha como jardineiro lotado na Secretaria de Obras e Meio Ambiente. Em agosto do ano passado, foi transferido pelo prefeito para vigiar a entrada de caminhões com resíduos orgânicos no antigo lixão localizado na Fazenda Municipal, fundos do City Petrópolis. O “seu Paulo”, como é conhecido, acredita que a mudança de local e de funções seja uma perseguição do governo: ele teve participação ativa nas duas greves dos servidores. Também assinou um dos três pedidos de abertura de Comissão Processante contra Alexandre Ferreira (PSDB).
Após tomar conhecimento do caso de assédio moral, uma comissão de vereadores, formada por Márcio do Flórida (PDT), Marcelo Valim (PSD) e Valéria Marson (PSD), foi vistoriar o local na manhã de ontem. Constataram que o desvio de função imposto ao servidor é apenas uma das irregularidades. “Isto, não é trabalho. É uma punição, um castigo imposto pelo prefeito”, disse Valéria.
Seu Paulo trabalha sozinho no antigo lixão. Sua função é controlar a entrada de caminhões com galhos de árvore, capim, serragem e restos de madeira que são jogados no aterro. Tem que barrar outros materiais, como plásticos, pneus, sofás e entulho de construção. “Se é de um cidadão comum, eu não aceito este tipo de lixo. Agora, se for da Prefeitura veio a ordem para eu receber”.
O servidor, que sofre de problemas nos tendões de aquiles e que tem laudo médico para não ficar muito tempo em pé, se protege da ação do tempo em um barraco sem as mínimas condições de conforto. Teve que fazer adaptações no telhado e nas laterais com sobras de madeira para evitar a incidência do sol e o forte vento. Não há água encanada.
O banheiro é uma foça. A privada é um buraco no chão. “Improvisei e coloquei um vaso sanitário do lixo em cima do buraco, pois tenho dificuldades para me abaixar”. Chapas de zinco quebram o galho como parede. “Fui submetido a este tratamento por conta de minha participação na greve. Estou sendo retaliado e muito”.
Seu Paulo trabalha no lixão, sozinho, das 7h30 às 11 horas e das 12h30 às 17 horas. Após este horário, não há outro vigia. Nos fins de semana e feriados também não há segurança. Portão não existe. “Para nós, ficou claro que a Prefeitura não tem intenção nenhuma de manter esse local livre de lixo que não poderia ser jogado aqui. Na ausência do seu Paulo, a entrada é livre e qualquer pessoa pode chegar aqui e jogar o tipo de lixo que quiser”, disse Márcio do Flórida.
Para Marcelo Valim, não há dúvidas sobre a real intenção de Alexandre Ferreira. “O prefeito quis apenas tirar o seu Paulo do convívio com os demais funcionários da Prefeitura e, ao mesmo tempo, puni-lo por conta da participação nas greves. É uma perseguição lamentável e uma grande falta de respeito com um ser humano que pensa diferente dele”.
As condições as quais o servidor está sendo submetido foram denunciadas no plenário da Câmara e os vereadores decidiram elaborar um dossiê completo da situação e entregar no Ministério Público do Trabalho.
Líder de Alexandre Ferreira na Câmara, Laercinho (PMDB) ironizou a denúncia. “Na hora certa, o Paulo fez o marketing certo. Corre o risco de ser eleito. É candidato a vereador”, disse Laercinho.
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