O preço de um dos produtos mais populares na mesa do brasileiro, o feijão, tem assustado as donas de casa. Desde o começo do mês, o valor do quilo do grão tem sofrido constantes aumentos, a ponto de se tornar alvo de brincadeiras na internet e deixar o arroz sem seu principal acompanhamento. Em Franca, segundo levantamento informal realizado pelo GCN, o preço médio do quilo do feijão tem variado entre R$ 13 e R$ 15, valor antes suficiente para comprar com tranquilidade dois quilos do produto.
Para o empresário Éder Donizeti Pereira, dono de uma empresa de beneficiamento de feijão na cidade, o reajuste no preço é resultado de um descontrole climático que interferiu na safra. “Houve seca no período que precisava de chuva e choveu na hora que não podia chover. Com isso, houve uma safra menor”, explicou.
Segundo Pereira, em duas semanas o preço do fardo do produto, com 30 quilos, mais que dobrou. “Ele atingiu o preço histórico de 2008 e foi além. Antes, R$ 165 era o maior valor que havia visto pelo fardo, agora ele já sendo comercializado por R$ 350.”
Representante comercial de uma marca de feijão em Franca, Aglicério Alves disse que a alta refletiu diretamente nas vendas para os supermercados e não há uma expectativa de melhora a curto prazo. “Acredito que, durante mais um mês, o preço deva continuar em alta. Com isso, os varejistas compram menos, pois feijão é um produto que não aceita estoque devido o grão escurecer.”
Segundo pesquisa realizada pelo Ipes (Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais) do Uni-Facef, de janeiro a maio deste ano, o preço do feijão evoluiu de R$ 10,10 a R$ 12,46 (valor de maio) o pacote de dois quilos. Comparado maio último com o mesmo período do ano passado, a variação foi de R$ 8,74 a R$ 12,46, uma diferença de 42,56%. “Sobre a elevação dos preços é possível verificar, segundo informações da Companhia Nacional de Abastecimento, que a oferta de feijão foi reduzida, somado a um agravamento do quadro climático do país, o que gerou o aumento de preço”, disse a coordenadora do Ipes, Melissa Franchini Cavalcanti Bandos.
Soja e ervilha
Nutricionista e professora dos cursos de gastronomia do Sesi, Juliana Caprioli Ferreira diz que deixar de comer feijão “não é interessante” nutricionalmente, porém, vê o alto preço como um inibidor para a dona de casa. “Só o arroz e a carne fica pobre em valores nutricionais, aconselho que a dona de casa substitua o feijão por uma outra leguminosa, como a soja ou a ervilha seca cozida ou ainda coloque legumes no feijão para aumentar o rendimento.”
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