Justiça condena 30 acusados de falsificar agrotóxicos


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Parte dos acusados de envolvimento com a falsificação de agrotóxicos deixam delegacia de Franca em dezembro do ano passado
Parte dos acusados de envolvimento com a falsificação de agrotóxicos deixam delegacia de Franca em dezembro do ano passado
A Justiça condenou 30 acusados de integrar a quadrilha especializada em falsificar agrotóxicos que era baseada em Franca. Somadas, as penas impostas aos réus chegam a 206 anos. A sentença, assinada pelo juiz Ewerton Meireles Gonçalves, foi publicada no fim da tarde de ontem. As condenações variam de três a 11 anos de cadeia dependendo da participação de cada um no esquema. Apontado pelas autoridades como o líder do grupo, Eliezer Reis da Silva, o “Russo”, foi o que pegou a punição mais severa: 11 anos, um mês e dez de reclusão em regime inicialmente fechado. O processo, com mais de 20 mil páginas, é o maior em tramitação na Comarca de Franca. 
 
O caso, que ganhou repercussão nacional e até mesmo fora do País, teve início no dia 5 de dezembro de 2014, durante uma mega ação realizada em conjunto pela Polícia Civil de Franca e Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado). Os números envolvidos na chamada operação Lavoura Limpa foram inéditos na história da cidade: 154 policiais, quatro promotores, 50 mandados de busca e 31 ordens judiciais de prisão. Os agentes usaram escutas telefônicas, cabos de fibra ótica e até drones para monitorar a rotina da quadrilha.
 
O forte aparato resultou na prisão de 24 pessoas e na apreensão de mais de 60 veículos, entre caminhões, carreta, Camaros, caminhonetes de luxo, uma lancha, dois jet skis, milhares de produtos usados na falsificação e cinco armas de fogo. Segundo as autoridades responsáveis pela operação, as apreensões somaram cerca de R$ 20 milhões. 
 
Nos meses seguintes à operação, novas apreensões foram feitas. Mais gente acabou presa. A ação penal é composta por 31 réus. O grupo era baseado em Franca, tinha ramificações em Ribeirão Preto, Igarapava e Araxá-MG e distribuía os produtos para ao menos sete estados. “Dizimamos uma estrutura empresarial especializada na geração de lucro ilícito. Os integrantes se organizaram para a produção, falsificação, rotulagem, embalagem, distribuição e venda de agrotóxicos”, disse, no dia da operação, o delegado Leopoldo Novaes, responsável pela investigação. 
 
Ontem, 18 meses após Franca ganhar fama pela falsificação de agrotóxicos, os acusados de envolvimento com a quadrilha começaram a acertar as contas com a Justiça. As condenações, basicamente, se deram pelos crimes de organização criminosa, adulteração de agrotóxicos e falsificação ideológica. Cinco condenados não obtiveram o direito de recorrer em liberdade. O juiz decretou ainda o perdimento, em favor da União, dos bens apreendidos. 
 
Os promotores do Gaeco informaram que não foram intimados da decisão e que não tinham como comentar o teor das sentenças. O advogado Reginaldo Carvalho, que defende parte do grupo, entre eles, Russo, o suposto líder e que pegou a maior pena, criticou a sentença. “É com muito pesar que a defesa recebe esta condenação, tendo em vista o exagero fora dos parâmetros nacionais. O juiz Sérgio Moro não condenou ninguém por organização criminosa na Lava Jato, que tem crimes extremamente mais graves. Aqui, o juiz condena quem falsifica veneno. A pena é desproporcional e merece reparo de forma imediata. Vamos recorrer”, avisou.
 

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