O massacre ocorrido em boate gay em Orlando, EUA, gerou 50 mortes e 53 feridos. O Estado Islâmico reivindicou a autoria. O autor dos disparos tinha 29 anos de idade, mas ninguém tem o direito de utilizar o nome de Deus em vão! Pelo menos é isso que se ensina nas religiões sérias.
Deus é manifestação de amor até mesmo para quem não segue sua orientação. Tem que acabar isso de utilizar o nome de Deus, ou de qualquer religião, para pregar a não aceitação de alguém que viva sua sexualidade diferente do que é tradicional.
Podemos não aceitar a prática homossexual, e isso é um direito garantido pela Constituição, mas não estamos autorizados a destruir a pessoa que pensa e age diferente. Da mesma forma, o homossexual também não pode destruir o heterossexual. Ambos têm que entender que a dignidade do ser humano transcende a preferência, opção ou orientação sexual. Logo, não podemos ser homofóbicos e nem heterofóbicos já que esses pensamentos nos remetem a retrocesso.
Não dá para condenar a prática homossexual, até porque a existência deles decorreu de uma relação heterossexual. Acredito que a não aceitação está ligada ao medo de olhar para o outro e aceitar que também, dentro de si, haja espaço para essa prática.
Violência é, muitas vezes, sinal de fraqueza. Jesus, homem-Deus se fez presente entre todos os tipos de pessoas, e não condenou ninguém. Apenas amou. Se o próprio Jesus não condenou, quem somos nós para condenar, ou tentar direcionar preferências sexuais dos outros?
O prazer, o gozo, a felicidade, não são obras de Deus? Preceitos cristãos são válidos e devem ser seguidos por cristãos, e isso não impõe a observância por todos os demais seres humanos. O próprio Jesus convidava a que o seguissem, mas nunca impôs. Segui-lo é ato voluntário e de amor. Fora do amor não há encontro com Deus!
Pouco importa se você é homo ou hétero. Importa se você é pessoa digna, do bem, que sabe amar e respeitar o diferente. Amor ultrapassa sexualidade!
Acir de Matos Gomes
Advogado, professor universitário
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