Família da tragédia do Cubatão pede indenização


| Tempo de leitura: 3 min
Populares acompanham o salvamento de Maria de Lourdes Dominciano, hoje com 75 anos, no córrego Cubatão, perto da cachoeira
Populares acompanham o salvamento de Maria de Lourdes Dominciano, hoje com 75 anos, no córrego Cubatão, perto da cachoeira
Há mais de três anos, a família Dominciano, envolvida no acidente do córrego Cubatão em 2012, está na Justiça contra a Prefeitura de Franca. Em uma ação de danos materiais, iniciada em janeiro do ano seguinte, a viúva e os filhos de Adelino Dominciano, à época com 78 anos, morto assim como a neta Sara, que tinha 15 anos, pedem R$ 4 milhões de indenização. Os principais fatos que motivam o processo, segundo a advogada responsável, são a falta de proteção no córrego e as necessidades que a família passa desde a fatalidade.
 
No chuvoso 8 de junho de 2012, o pedreiro aposentado foi buscar exames médicos com a mulher, Maria de Lourdes Bruno Dominciano, hoje com 75 anos. Os dois netos, Willian, atualmente com 31 anos, e a neta, Sara, 15, estavam com os avós no VW Logus da família. Eles seguiam para casa, no Jardim Aeroporto II.
 
No cruzamento da rua Marechal Deodoro com a avenida Doutor Ismael Alonso y Alonso, ele perdeu o controle e o veículo caiu no córrego. Rodou com a correnteza por cerca de dois quilômetros e só parou após os bombeiros interceptá-lo a poucos metros da cachoeira. Enquanto Maria de Lourdes e Willian conseguiram escapar, Adelino não resistiu e morreu. Sara foi encontrada sem vida cinco dias depois, a dois quilômetros de onde o carro caiu.
 
Não havia proteção no córrego. As barreiras foram instaladas quase um ano depois da fatalidade da família Dominciano. “Nosso caso aconteceu cinco meses após a morte daquela garota (Mayellen Eduarda Silveira, 21) que caiu no córrego e ninguém tomou providência na época. Se existisse proteção, meu marido e minha neta estariam conosco”, disse a viúva.
 
O processo que prevê a indenização está nas mãos da advogada Katia Viegas. Para ela, a Prefeitura é a responsável, já que o laudo feito pela perícia na época aponta que a falta de proteção foi o fator preponderante para as duas mortes. “No documento, está explícito que o senhor Adelino não estava correndo e que, se houvesse a barreira, não aconteceria o acidente naquela proporção.”
 
Ainda de acordo com a advogada, desde o acidente, a Prefeitura não ofereceu nenhum respaldo, mais um motivo para o processo. “A família ficou destruída. A viúva ficou com sequelas nas pernas e precisa ir a consultas médicas quatro vezes por semana, sem ter um meio de locomoção, já que o carro da família se acabou nas águas. Nem uma ambulância à disposição, a Prefeitura colocou. Ela, assim como o neto e a mãe de Sara, Elaine Dominciano, precisam de tratamento psiquiátrico pelo trauma e pela depressão que os acomete”, disse Katia, que prosseguiu. “Mas a falta de especialista na rede pública inviabiliza. Ficam à base de remédios e não podem trabalhar. O Willian já tentou suicídio algumas vezes e, frequentemente, deixa de comer. Sente-se culpado por não ter conseguido salvar o avô e a prima. Precisa de tratamento. Além disso, ficou com sequelas em um dos ombros em decorrência da tragédia.”
 
Para Elaine, que diariamente chora pela perda da filha e do pai, a demora do processo e o desinteresse da Prefeitura pela família são revoltantes. “Revivemos a dor a todo instante. E já se passaram quatro anos. Não recebemos ajuda de ninguém, nem para os remédios e tratamentos, e vivemos com dificuldade, pois não conseguimos trabalhar. Está muito difícil. Eu queria que essa angústia e a dor acabassem”, afirmou, com voz embargada pelo choro.
 
A Prefeitura foi procurada pelo Comércio. Na tarde de sexta-feira, a assessoria de comunicação informou que encaminhou o caso para o departamento jurídico. Mas até o fechamento desta edição, nenhuma resposta aos questionamentos foi dada.
 
 

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários