Secretário da Saúde anuncia mutirão de cirurgias eletivas


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O novo secretário municipal de Saúde, José Conrado Netto, planeja melhorar qualidade de atendimento e diminuir espera por exames e consultas na rede pública de Franca
O novo secretário municipal de Saúde, José Conrado Netto, planeja melhorar qualidade de atendimento e diminuir espera por exames e consultas na rede pública de Franca
Perto de completar seu primeiro mês à frente da Secretaria Municipal de Saúde, o médico veterinário José Conrado Netto recebeu o Comércio em seu gabinete, na manhã da última quinta-feira. Por cerca de duas horas, falou sobre suas primeiras impressões no novo cargo, os grandes desafios a serem vencidos e também sobre os avanços no atendimento público de Saúde. 
 
Sofrendo com dores na costas, Netto disse que sua rotina desde que assumiu a secretaria tem sido de muito trabalho. “Não paro um minuto. Fiz questão de conhecer os prontos-socorros e a UPA e algumas UBS. Conversei com usuários e servidores. Tive uma boa acolhida e tenho certeza de que vamos conseguir melhorar a qualidade do atendimento prestado”. 
 
Em que pesem as reclamações da população em relação ao serviço e as pesadas polêmicas ao longo dos últimos meses, nas quais esteve envolvida a pasta que agora está sob sua responsabilidade, o secretário está animado e contou novidades. Franca acaba de ser credenciada pelo Ministério da Saúde para o Programa de Residência Médica. Com isso, os estudantes dos cursos de medicina da Unifacef e da Unifran, assim que se formarem, farão um ano como residentes atendendo nas unidades de saúde do município. “Será um reforço muito importante”. 
 
Para diminuir a espera por exames e consultas com especialistas, uma das queixas comuns da população, Netto também determinou a compra de serviços de clínicas e hospitais particulares, como a Santa Casa e a Unimed. Outra boa notícia é a realização de um mutirão de cirurgias eletivas, previsto para julho. 
 
O senhor completa no próximo dia 19 um mês à frente da Secretaria Municipal de Saúde, uma das mais delicadas da administração. Que avaliação o senhor faz do atendimento público prestado na cidade?
Na minha opinião, o atendimento que prestamos é muito bom. Falo isso porque estamos conseguindo cumprir tudo o que planejamos para o período de 2014 a 2017. Avançamos muito no atendimento à saúde maternal e infantil. Implantamos o programa Cegonha, que atende gestantes em condições de vulnerabilidade. Diminuímos a mortalidade por câncer de útero entre as mulheres. Reformamos todas as UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Inauguramos a UPA (Unidade de Pronto-atendimento) do Jardim Aeroporto. Estamos diminuindo a fila de espera para as cirurgias eletivas. Não temos dívidas em atraso. Não sofremos com a falta constante de medicamentos. Então, considero que o atendimento é bom, sim. 
 
Entendo que sua avaliação seja positiva, mas o senhor sabe que a saúde é hoje a área com maior número de reclamações por parte da população. Há falta de médicos, queixas relacionadas à qualidade do atendimento, demora para consultas com especialistas e exames... 
Considero bom o atendimento porque estamos garantindo o acesso da população a nossa rede. Para você ter uma ideia, em 2013, passavam pela rede pública de saúde 31% da população. Hoje, três anos depois, esse percentual é de 54%. Cerca de 10% das pessoas que tinham convênio, nos últimos anos, passaram a depender do atendimento público. É um aumento considerável e, infelizmente, os investimentos públicos, principalmente das esferas estadual e federal, não acompanharam esse aumento. Claro que temos problemas. Isso é inegável. Mas, na minha avaliação, são problemas pontuais, que não são exclusividade de Franca. Toda cidade sofre com a falta de médicos e de recursos. Mas, comparando os dados de Franca com os de outros municípios do mesmo porte, vejo que estamos melhores. 
 
Se pudesse dar uma nota, qual seria?
Daria nota 8. 
 
O senhor sabe que a nota dada pela população é bem diferente desta. Na última pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisas Datalink, o atendimento na Saúde recebeu nota 4,1. Como o senhor explica essa disparidade entre a sua avaliação e da população em geral?
Acredito que seja porque os problemas estão justamente nos locais de maior atendimento que são os prontos-socorros, que hoje respondem por mais de 50% de todos os atendimentos prestados no município. Há também a necessidade de melhorarmos o acolhimento das pessoas nestas unidades. Tornar o atendimento mais humanizado, a acolhida mais confortável para o pacientes. Precisamos também diminuir o tempo de espera por consultas e exames. Estamos trabalhando para isso. Acabamos de comprar atendimentos com especialistas da Santa Casa, principalmente nas áreas de cardiologia, oftalmologia, ginecologia e psiquiatria. Também estamos comprando exames da rede particular. Mas nem tudo é nossa responsabilidade. Há exames mais complexos, por exemplo, que são de responsabilidade do governo do Estado. É a Secretaria Estadual de Saúde, por meio do DRS (Departamento Regional de Saúde), que autoriza a realização. Nós apenas intermediamos. Com relação aos leitos hospitalares, também ampliamos a rede porque a Santa Casa já está com sua capacidade tomada. Estamos enviando pacientes até para hospitais em São Carlos. Mas ainda sofremos com a falta de recursos. Um exemplo é a UPA do Aeroporto. Quando ela foi inaugurada, o compromisso era de que o governo federal custeasse pelo menos metade dos gastos, que chegam a R$ 1 milhão por mês. Ela está em funcionamento desde o ano passado, mas, até agora, não vimos um centavo deste valor. O Ministério da Saúde nunca nos repassou os R$ 500 mil de custeio. O município precisou assumir. 
 
Na sua opinião, quais são os maiores problemas na Saúde hoje?
Por tudo o que já falei acima, a falta de recursos e investimentos e, claro, a falta de médicos. 
 
Atualmente, a Prefeitura tem quantos médicos efetivamente contratados? E quantos seriam necessários para um atendimento de qualidade?
Temos hoje 247 médicos, trabalhando em diversos regimes de trabalho. E outros 95 contratados por meio do chamamento público para atuar nos prontos-socorros. O ideal seria que tivéssemos pelo menos 400 médicos atuando pelo município, mas não conseguimos contratar. São abertos concursos mas não há profissionais interessados em assumir os cargos. Esse é um dos nossos grandes desafios. 
 
Os médicos afirmam que o valor pago pela Prefeitura de Franca é muito baixo, por isso não compensaria atuar no município...
Não concordo com essa avaliação. Já ouvi essa afirmação, mas não é verdadeira. Hoje o município oferece um salário-base de R$ 4,8 mil para uma jornada de 20 horas semanais, com a possibilidade de o profissional dobrar essa jornada e receber o dobro também. Não é um valor ruim, aliás, é muito melhor do que o que é pago por municípios do mesmo porte de Franca. A questão é que o profissional ganharia a mesma coisa atuando na rede particular em que a demanda e os problemas são menores. Então, entre o serviço público e um plantão em um hospital particular, é claro que o profissional opta pelo segundo. 
 
E como reverter isso?
Ainda estamos buscando alternativas. Mas uma boa opção é o contrato que acabamos de fechar com o Ministério da Saúde para que Franca faça parte do Programa de Residência Médica. A partir de 2018, todo estudante que se formar na Unifacef ou na Unifran terá de cumprir um ano de residência atendendo na rede básica de Saúde da cidade. O atendimento será feito de forma supervisionada. No ano que vem nossos profissionais passarão por treinamento para serem os chamados médicos orientadores. Acredito que, com essa medida, vamos desafogar um pouco o atendimento. Agora estamos lutando para conseguir nos credenciar para também termos a residência no curso de enfermagem. 
 
Recentemente a saúde de Franca foi alvo de pelo menos duas CEIs (Comissão Especial de Inquérito) na Câmara e registrou escândalos como os da indústria das horas extras e do ICV (Instituto Ciências da Vida), que contratou falsos médicos para os prontos-socorros. Pelo que consta no Portal da Transparência, o problema das horas extras excessivas permanece. As queixas em relação a profissionais de empresas nos prontos-socorros também. Como resolver esses dois problemas?
As horas extras existem porque infelizmente não temos o número suficiente de médicos e enfermeiros para o atendimento. Então, precisamos contar com a colaboração destes profissionais, mas não são horas extras não trabalhadas ou simuladas. São horas de serviço efetivamente prestado. O ideal seria que não houvesse essa necessidade, mas não temos outra alternativa, precisamos garantir o atendimento à população. Não temos como deixar as pessoas desassistidas. Mas acredito que com as contratações que estão sendo feitas por meio de concursos públicos vamos conseguir resolver esse problema. Em relação à qualidade do atendimento prestado, minha intenção é organizar um curso de capacitação para todos os que atuam na Saúde. Um curso diferente voltado para o treinamento de atendimento humanizado. Também quero estimular o diálogo e o companheirismo, a parceria. O servidor da Saúde tem que ter a consciência de que o trabalho que ele desempenha é diferente, não é fácil, mas tem que ser feito com dedicação e amor. 
 
Nesta semana, o frio parece ter chegado de vez. A preocupação com o avanço da gripe H1N1 tem aumentado. Estamos preparados?
Hoje estamos com oito casos positivos da doença, sendo que, destes, cinco pacientes acabaram morrendo e três receberam alta. Ainda temos 22 pessoas aguardando resultados e 20 resultados negativos. Não acredito em um agravamento com a chegada do frio, porque nós já conseguimos vacinar nossa população do grupo prioritário, que é mais vulnerável a ser acometida pela doença. Essas pessoas ficam protegidas. Há ainda parte da população que já entrou em contato com o vírus, não chegou a desenvolver sintomas da doença, mas ficou imune. A gripe tem muito isso. Nem sempre apresenta sintomas ou desenvolve sintomas brandos. Mesmo no caso do H1N1, não necessariamente teremos pacientes com síndrome gripal, febre alta, dores no corpo e sintomas respiratórios. A pessoa pode apresentar um quadro mais ameno e que leve a achar que se trata de um resfriado, com febre leve e coriza.
 
Quais são suas metas para esta segunda metade do ano?
Queremos continuar avançando na qualidade do atendimento prestado à população. Queremos também, talvez até o final de agosto, inaugurar a UPA do Jardim Anita e, no mês que vem, também queremos realizar um mutirão de cirurgias eletivas. Também quero deixar claro que não vou me furtar de receber, escutar e acolher cada um que procurar a Secretaria. Tenho total ciência de que muito ainda precisa ser feito visando a melhoria do Sistema Público de Saúde, tanto para os trabalhadores como para os usuários.

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