Em sua coluna na Folha de S. Paulo, edição de 07/06/16, Hélio Schwartsman, sobre Ítalo, o menino de 10 anos que, suspeito de haver furtado um carro, foi morto durante perseguição policial, pergunta-se: ‘o que faz com que alguém siga essa trilha? Criação, genes, oportunidades, acaso?’ E conclui, a nosso ver acertadamente: ‘A resposta é quase certamente uma combinação de todos esses e de outros fatores.’ Completa afirmando que a criação é importante, mas, talvez, numa escala menor do que a que imaginamos.
Mostra um estudo populacional na Dinamarca, cujos resultados expõem pouca diferença de comprometimento com o mundo do crime entre filhos de pais sem problemas com a Justiça e os criados por pais com história de delinquência. Também, a taxa de criminalidade entre os descendentes de pais sem antecedentes criminais, mas criados por pais adotivos e honestos é quase igual. Informa que ‘a história muda um pouco para os filhos de criminosos criados por pais honestos.” “Aqui — diz ele —, a delinquência atingiu 20% (quase 6% mais que os outros), um bom indício de que a genética influi.’ Analisados do ponto de vista espírita, veremos que todos esses fatores são variáveis que devem ser consideradas, mas são, antes, consequências.
Ensina-nos O Livro dos Espíritos, nas questões 260, 269 e 844, que o espírito escolhe o meio onde vai nascer, a fim de ser testado naqueles pontos nos quais necessita avançar moralmente, porquanto foi ali que fracassou nas tentativas anteriores.
Com efeito, há que se considerar a força de duas leis implacáveis, a da afinidade e a da atração magnética, segundo as quais, tudo se rege pela necessidade de redimirmo-nos de crimes antecedentes.
É justamente aí que nos vemos ou atraídos ou conduzidos a ambientes adversos a nos oferecerem condições evolutivas.
Ninguém reencarna para errar, mas para progredir. Entretanto, o espírito, milenar, dotado da liberdade de agir, continua agindo errado.
Felipe Salomão
Bacharel em Ciências Sociais, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca
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