O ex-deputado estadual francano Gilson de Souza (DEM) não foi claro ainda sobre o que vai fazer politicamente este ano, mesmo considerando a proximidade das eleições. Mas, seja como for, há grandes chances dele sentar novamente na cadeira de deputado, no início do ano que vem. De terceiro suplente na coligação de seu partido com o PSDB/PPS e PRB, Gilson poderá pular para o primeiro da fila. Pelo menos cinco deputados da coligação serão candidatos a prefeito e eles, pelo que parece, têm chances de serem eleitos. Se isso acontecer, deixam o mandato parlamentar e abrem espaço para o ex-deputado francano. Além disso, há outros dois deputados estaduais pelo PSDB com sentença em primeira instância de cassação de mandato. Se os processos se confirmarem pela cassação, fará andar a fila de suplência e aproximará Gilson ainda mais da Assembleia Legislativa.
Um dos deputados com mandato cassado é Barros Munhoz. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo cassou esta semana seu mandato por uso indevido de meios de comunicação. A decisão torna o tucano inelegível durante oito anos. Ainda cabe recurso.
Barros Munhoz foi três vezes prefeito de Itapira, ministro, secretário de Estado da Agricultura e se elegeu deputado por quatro mandatos. Foi presidente da Assembleia por duas vezes. Em 2014, foi reeleito com 194.983 votos, tendo sido o sexto mais votado. Na última quarta-feira, 8, o político foi cassado sob a acusação de ter sido favorecido, nas eleições de 2014, por uma série de chamadas jornalísticas que objetivaram alavancar sua candidatura. O TRE deu procedência à ação proposta pela PRE (Procuradoria Regional Eleitoral) que apurou que o deputado foi beneficiado pela excessiva e explícita exposição de sua imagem em jornais de Ituverava e Itapira, sua base de atuação.
De acordo com a acusação, os jornais veicularam, ao longo de todo o ano de 2014, inclusive no período eleitoral, matérias de caráter elogioso ao então candidato, que era mencionado em praticamente todas as edições, que desvincularam-se de seu papel jornalístico para claramente promover a figura do político perante o eleitorado da região. Ainda de acordo com a PRE, comprovou-se que partiu do próprio gabinete do deputado a maior parte do conteúdo questionado na ação julgada quarta-feira. A equipe dele produzia comunicados de imprensa, que eram encaminhados para jornais selecionados e publicados sem verificação jornalística, muitas vezes na íntegra.
O TRE entendeu que houve desequilíbrio de forças na eleição e, por maioria de votos, cassou o diploma de deputado. Os desembargadores declararam nulos os votos recebidos por ele e determinaram a retotalização da eleição proporcional. A defesa de Barros Munhoz informou que vai recorrer e que, enquanto tramitar o processo pelos tribunais superiores, ele continuará exercendo normalmente seu mandato.
O outro deputado da mesma coligação com problemas é Mauro Bragatto. Ele também já havia sido condenado e poderá ser afastado do cargo. No mês passado, o Tribunal de Justiça negou o pedido da defesa de Bragatto para suspender a decisão do juiz Carlos Eduardo Lombardi Castilho, da 1ª Vara Cível de Presidente Prudente, que determinou a perda imediata do mandato do parlamentar. O tucano foi condenado em ação de improbidade administrativa por supostamente fraudar compra de leite no período em que foi prefeito de Prudente, de 1997 a 2000.
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