Morreu ontem, sexta-feira, 10, por volta de 13h30 horas, no Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, o ex-prefeito de Franca e ex-deputado estadual, Onofre Sebastião Gosuen. Tinha 92 anos. Permaneceu hospita-lizado por quinze dias em tratamento intensivo de grave pneumonia. Também era portador de Alzheimer, e em São Paulo, sua família encontrou métodos de tratamentos que lhe garantiram estagnar o desenvolvimento da doença. 'Para lhe garantir proximidade dos médicos e, junto a parte da família que reside na capital, resolvemos levá-lo, e a mamãe, há cinco anos, para morarem lá. Foi um boa decisão. Ele permaneceu muito bem até seu organismo ser penalizado com a gravíssima pneumonia que o matou', disse a filha.
Deixou, viúva, a senhora Regina Miele Gosuen, depois de 65 anos de casamento. Do enlace, três fi-lhos, Elisa, casada com o empresário Nélio Zanardi Pera Júnior; Ana Beatriz e Luciano. Também, dois netos, Leonardo e Eduardo; e três bisnetos, Isadora, Manoela e Théo.
Onofre Gosuen foi prefeito de Franca por dois anos e meio (1956 a quase final de 1958). Não completou o mandato por ter se candidatado a deputado estadual, e ter sido eleito. Atuou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo por duas legislaturas. A segunda, não chegou a completar por ter sido cassado no período do governo militar.
Considerado político culto e determinado, Gosuen marcou seu nome na curta passagem pela Prefeitura. 'Meu pai amava Franca loucamente. Seu estilo era direto e rápido. Queria transformar a cidade em um centro de cultura. Construiu praças porque entendia que as pessoas precisavam de lugares bonitos onde pudessem se encontrar para se divertir e descansar das agruras do dia a dia nas fábricas de calçados. As fez e as 'vestiu' com esculturas que encomendou a mestres ita-lianos do Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Estão na fonte da praça Nossa Senhora da Conceição e na da praça da antiga Jussara, na Estação, mas também espalhadas nas várias regiões da cidade', contou Elisa.
Era também, contundente, em seus recados. 'A política, na época de papai, tinha grandes entreveros. Para se ter uma ideia, não se votava apenas no candidato a prefeito. Votava-se, também, no vice. Quando ele foi eleito prefeito, seu candidato a vice, o ex-prefeito Barbosinha, não se elegeu. Seu vice foi, então, o senhor Abílio Nogueira, seu opositor. Havia outro paradigma: os votos da cidade elegiam sempre. Na ocasião da vitória de papai, ele perdeu na cidade para o dr. Baldijão Seixas - que foi padrinho de casamento de meus pais -, mas inverteu o jogo vencendo com os votos da Estação, bairro nasceu e onde meu avó, Vicente, teve uma padaria. Recordando-se que na campanha, seus opositores da cidade chamaram os oradores da Estação de 'índios', mandou fazer uma estátua de um índio vencedor e a colocou na praça do início da rua General Telles, homenageando seus eleitores do bairro. Era dono de um estilo único, baseado em seriedade e bom humor'.
Deixou isso ainda mais claro quando passou a se apresentar, depois que sua filha Elisa Gosuen - consi-derada a eterna Miss Franca - não ficou com o título de Miss São Paulo em decisão muito contestada: 'sou o pai da Elisa. Não havia quem não me conhecesse, e invejasse'. E ria, feliz.
Onofre deixou, também, à cidade, o viaduto da rua General Telles, segundo a filha. 'Foi outro desafio vencido por ele. Prometeu o viaduto quando em campanha para a Prefeitura. Seus adversários diziam que, se ganhasse, o faria de bambu. Encontrou em São Paulo jovens arquitetos - um deles ainda vivo, o engenheiro Ênio Montes - que começavam carreira, disse-lhes o que lhes podia pagar e eles aceitaram. O viaduto, sem bambu, foi bandeira de papai, em sua campanha a deputado. O que queria para Franca, fazia, custasse o que custasse. Ele se considerava funcionário público que tinha o dever de fazer seu trabalho bem feito, para honrar o que recebia do povo', concluiu Elisa.
A família decidiu ontem, em São Paulo, que o corpo do ex-prefeito será cremado na capital. Em data posterior, haverá cerimônia religiosa em intenção de sua alma em Franca, seguindo-se sepultamento das cinzas no túmulo da família, no Cemitério da Saudade.
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