Num momento em que o País cobra de seus políticos uma nova postura, principalmente no trato das verbas públicas, percebe-se que o bem estar da população brasileira, que depende dos serviços públicos, tem ficado em segundo plano. Atualmente, Franca é um grande exemplo da falta de sintonia entre a administração (em todos os seus níveis) e as camadas mais necessitadas, que não contam com recursos para prover o próprio bem estar e muito menos cuidar da saúde. Simples cirurgias eletivas, como para a remoção de cataratas ou das amídalas deixam de acontecer e prejudicam milhares de pacientes que necessitam das intervenções.
A demora na realização de procedimentos prejudicam francanos que esperam meses a fio, prejudicando as suas atividades profissionais e cotidianas. E não há, pelo menos até agora, qualquer movimentação para se resolver de forma definitiva essa questão. Reportagem da edição de ontem do Comércio mostra que a fila da cirurgia eletiva não para de crescer. Perto de 50 novos casos surgem por dia o que significa cerca de 1,1 mil novos pacientes a cada mês. A espera por atendimento pode durar anos. Entre as cirurgias mais comuns estão as de garganta (retirada das amídalas), catarata, hérnia, vesícula, além das vasculares e ortopédicas.
As autoridades criam um jogo de empurra para que não se realizem os chamados ‘mutirões’ que podem atender milhares de pessoas e amenizar os seus sofrimentos. Enquanto o dinheiro do contribuinte é “enterrado” em obras que não trarão qualquer benefício prático, onde bilhões de reais escoam pelo sorvedouro da corrupção e da ineficiência administrativa, milhões de brasileiros convivem com o medo de que a demora lhes traga uma incapacidade permanente. A Prefeitura joga o problema para o Estado que responsabiliza o governo federal. Ninguém quer saber se há culpados.
O brasileiro que trabalha, paga impostos e não consegue, em razão de sua renda limitada, arcar com os custos de um plano de saúde ou pagar pelo procedimento que necessita, espera uma resposta rápida para a suas necessidades. Enquanto agentes públicos, eleitos ou não, contam com planos de saúde, algumas vezes irrestritos, o brasileiro das classes menos favorecidas tem que se sujeitar à espera, a filas intermináveis e à possibilidade de ser atendido por um falso médico, como aconteceu em Franca. O administrador público precisa despir-se de toda a vaidade e usar de forma responsável o dinheiro dos impostos que são daqueles aos quais serve. Gasta-se muito em obras não prioritárias e quase nada onde realmente é necessário. Deveria ser o contrário.
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