Fotografia do caos


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Dados recentes, divulgados na rede mundial de computadores, indicam que no Brasil, uma consulta médica realizada na rede pública de saúde, dura, em média, pouco mais de cinco minutos. Admitindo-se, por hipótese, como verdadeira essa estatística, tenho, embora leigo no assunto, que o fato é estarrecedor e absurdo.
 
Não se vislumbra a menor possibilidade de um diagnóstico médico preciso, realizado em tão curto espaço de tempo. O bom resultado de uma consulta médica passa, necessariamente, por uma anamnese bem feita e um detalhado exame clínico, procedimentos impossíveis de serem realizados com eficiência em tempo tão ínfimo.
 
Some-se, ainda, constatar-se que paciente de parcos recursos, para ser atendido, acaba tendo de percorrer uma verdadeira via crucis, enfrentando filas intermináveis, além de ter de conviver com o descaso com que o recebem, fatos que chegam a atentar contra a dignidade da pessoa humana.
 
Não acho, porém, que esse descalabro deva ser colocado apenas na conta do médico. 
 
Reconheço que a maioria absoluta deles é idealista e vocacionada, além de comprometida com um atendimento de qualidade. Sim, continuo a ver a profissão médica como a de um verdadeiro sacerdócio.
 
É inegável que a culpa maior tem que ser imputada à ineficiência da rede pública de saúde, tanto no âmbito municipal, estadual e principalmente, federal. Os recursos investidos, além de insuficientes, acabam sendo diluídos por uma estrutura burocrática e corrupta.
 
A evidencia do caos no setor está desenhada no número elevado de ações tramitando na justiça, ajuizadas por pacientes desesperados que clamam por medidas judiciais rápidas e concretas capazes de lhes amenizar o sofrimento.
 
Porém, e infelizmente, o poder Judiciário também não está devidamente aparelhado para dar solução a todos os casos.
 
 
Setímio Salerno Miguel
Advogado Empresarial e Professor da Faculdade de Direito de Franca.

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