Fisiologismo ainda oblitera honestidade


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O presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tanto fez que está próximo de conseguir um salvo-conduto de seus colegas para continuar participando de esquemas de corrupção que dêem a si e familiares um enriquecimento incompatível com os seus vencimentos como parlamentar. Além de possuir contas em bancos suíços irrigadas com propinas e dinheiro desviado de estatais e autarquias, Cunha não tem qualquer vergonha em negar a existência das contas. O pior são os seus aliados, que insistem na mesma lengalenga e propõem uma ‘pena alternativa’ a um dos maiores beneficiários dos esquemas de corrupção que vêm sendo investigados no País. Não será surpresa nenhuma se Eduardo Cunha for absolvido ainda na Comissão de Ética e o processo de afastamento nem chegue ao plenário. Assim, ele poderia retornar ao seu posto, a não ser que o STF (Supremo Tribunal Federal) mantenha o afastamento.
 
Não é de hoje que a classe política brasileira dá mostras de corporativismo na defesa de seus integrantes. O caso de Eduardo Cunha é exemplar: por causa de manobras capitaneadas pelo parlamentar fluminense e seus aliados, o processo se arrasta há mais de sete meses e corre o risco de findar sem o desfecho que todos esperam. Aqui no Brasil, políticos aferram-se ao poder e insistem que se manter agarrados à cadeira que conseguiram à custa de acordos espúrios e apoios calcados no fisiologismo que marca indelevelmente a atuação de agentes públicos, eleitos ou não. No Brasil, tornou-se notória a política do ‘rouba mas faz’, mas agora a população brasileira exige seriedade, responsabilidade e honradez de seus representantes. Os protestos que pediam a saída de Dilma Rousseff da presidência da República também miravam Cunha e os políticos que vêm sendo expostos a cada dia nas investigações da Polícia Federal.
 
A esperança de todos é que, caso a Câmara dos Deputados se furte em condenar um de seus mais notórios integrantes, possuidor de robustas provas de que utilizou todos os cargos públicos ocupados para locupletar, a Justiça o leve a pagar pelos crimes cometidos ao longo de sua vida pública. E que, como ele, os demais políticos implicados também sejam sentenciados de forma exemplar. Roubar dinheiro público é roubar do brasileiro serviços públicos de qualidade, principalmente no que diz respeito à saúde e à educação. É preciso que quem ainda acredite na impunidade, da qual os corruptos sempre se valeram ao longo de nossa história, tenham a clara percepção de que os tempos são outros: quem rouba só tem um caminho, a prisão. É nisso que todos os cidadãos de bem do nosso Brasil acreditam e esperam que efetivamente aconteça.
 
 
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